Finanças
Vale-alimentação é o benefício mais desejado, mas não cobre o mês inteiro
Oferta cresce entre empregadores, mas valor médio recua e dura apenas 14 dias, em média
Os benefícios ligados à alimentação estão entre os mais valorizados pelos trabalhadores brasileiros. É o que aponta a pesquisa “O que faz um bom dia para o trabalhador?”, realizada pela Ticket, marca de benefícios da Edenred. Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados afirmam que o vale-refeição e o vale-alimentação contribuem diretamente para uma rotina de trabalho mais saudável.
A preferência por esse tipo de benefício ocorre mesmo em um cenário de debates cada vez mais intensos sobre flexibilização do trabalho. O interesse pelo vale-alimentação acompanha a expansão da oferta registrada nos últimos anos. Em 2026, a parcela de profissionais sem acesso a qualquer benefício caiu de 11% para 9%, conforme a mesma pesquisa.
Os dados indicam que a prioridade dos trabalhadores está nas compras de mercado: 49% apontam preferência pelo vale-alimentação, enquanto 31% citam o vale-refeição.
Mais empresas aderindo
Empresas como Pluxee, Alelo e VR Benefícios afirmam que a procura e a oferta do vale-alimentação cresceram nos últimos cinco anos.
— O benefício passou a ocupar um papel estratégico na atração, retenção e engajamento de talentos, especialmente em um cenário de aumento do custo de vida e maior atenção ao bem-estar financeiro dos colaboradores — afirma Antonio Alberto Aguiar, diretor executivo de Estabelecimentos da Pluxee.
Willian Gil, diretor-executivo de Pessoas, Jurídico e Governança da VR Benefícios, avalia que a ampliação da oferta é uma forma de aumentar o engajamento e reduzir a rotatividade das equipes. Segundo ele, a tendência é que os benefícios continuem crescendo e se tornem cada vez mais integrados à rotina das pessoas.
A Alelo informou que o avanço tem sido observado especialmente entre pequenos e médios negócios.
— A tendência é que os benefícios deixem de ser vistos apenas como uma obrigação ou complemento salarial — afirma Denis Vieira, diretor de Experiência do Consumidor e Tecnologia da empresa.
Benefício ainda não cobre compras mensais
Apesar de ser considerado primordial na rotina dos trabalhadores, o vale-alimentação ainda tem alcance limitado diante da alta do custo de vida, segundo levantamento da Pluxee. A pesquisa “Retrato do Trabalhador Formal”, realizada em fevereiro deste ano, revela pressão crescente sobre o orçamento das famílias.
De acordo com os dados, 62% dos trabalhadores precisam complementar o valor das compras do mês com o próprio salário, porque o benefício não é suficiente para cobrir todas as despesas.
A Alelo, em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), também divulgou dados elaborados por economistas da fundação. O levantamento apontou que a duração média do vale-alimentação foi de 14,3 dias corridos em março deste ano. Além disso, o valor médio do benefício caiu de R$ 475,60 no fim de 2025 para R$ 461,60 em março de 2026.
Novas regras: entenda
Desde 10 de fevereiro deste ano, estão em vigor as novas medidas do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). O Decreto 12.712, assinado em novembro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afeta trabalhadores beneficiados, empresas contratantes e estabelecimentos que recebem os pagamentos.
A proposta busca reduzir custos, ampliar a concorrência e dar mais liberdade aos usuários. As mudanças serão implementadas de forma gradual, com prazos que chegam a 360 dias.
Para os trabalhadores: a principal mudança é a ampliação da liberdade de uso do benefício em mais estabelecimentos e bandeiras. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, os cartões passarão a ser aceitos em qualquer maquininha. Empresas e operadoras terão até 360 dias para concluir a integração.
Para os estabelecimentos comerciais: a taxa máxima cobrada pelas operadoras passa a ser de 3,6%. Antes, comerciantes aguardavam cerca de 30 dias para receber os valores das vendas. Agora, o repasse deverá ocorrer em até 15 dias corridos.
Empresas como Ticket, VR, Pluxee, Alelo e Vegas Card obtiveram liminares judiciais que as protegiam de sanções por eventuais descumprimentos do decreto. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, solicitou à Justiça a suspensão conjunta dessas decisões. Com a derrubada das liminares, voltam a valer integralmente os principais pontos da nova regulamentação.
Procurada pelo EXTRA, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) preferiu não conceder entrevista. Já a Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) não respondeu aos questionamentos até a publicação da reportagem.
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