Finanças

Sem cédulas e em segundos: Pix e aproximação mudam compras em supermercados

Pesquisa mostra que 83% dos consumidores percebem queda no uso de dinheiro em espécie nos últimos tempos

Agência O Globo - 14/06/2026
Sem cédulas e em segundos: Pix e aproximação mudam compras em supermercados
Sem cédulas e em segundos: Pix e aproximação mudam compras em supermercados - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Contar dinheiro no caixa ou aguardar troco são cenas cada vez menos frequentes nos supermercados. Com o avanço da digitalização dos meios de pagamento, consumidores têm recorrido cada vez mais ao Pix e às transações por aproximação, transformando a experiência de compra e a rotina do comércio.

— A experiência fica mais conveniente, rápida e fácil, com menos movimento de entrada e saída de dinheiro. Isso reduz o tempo em filas. As pessoas também percebem menos o quanto gastam quando comparam com o uso de dinheiro em espécie — afirma Marco Antônio Quintarelli, consultor de vendas da Azo Negócios.

Pesquisa realizada pelo instituto Opinion Box mostra que Pix (87%), cartão de crédito (83%) e cartão de débito (66%) são os meios de pagamento mais utilizados no país. Embora o dinheiro físico ainda apareça à frente da carteira digital, 83% dos entrevistados afirmam perceber redução no uso de cédulas e moedas nos últimos tempos.

O pagamento por aproximação também se consolidou na rotina dos consumidores. Segundo o levantamento, a modalidade já é adotada por 81% dos usuários de cartão de crédito. Entre eles, a forma mais comum é aproximar o cartão da maquininha (63%), seguida pelo uso do smartphone (40%).

Rodrigo Graça de Melo, vice-presidente de Produtos e Negócios da Multipagamentos, avalia que o avanço dos pagamentos digitais foi impulsionado pelo uso dos smartphones e acelerado pela pandemia.

— O Pix foi o grande símbolo dessa transformação. Ele tornou a experiência tão simples e rápida que, para muita gente, pagar digitalmente passou a ser mais fácil do que usar dinheiro em espécie. Hoje, em muitos casos, o consumidor nem pensa mais na forma de pagamento: ele pega o celular e resolve — destaca.

O gerente de vendas Hélio Pereira, de 60 anos, é um exemplo dessa mudança de comportamento. Ele afirma que praticamente não leva mais dinheiro físico para o supermercado.

— Só pago com cartão de débito ou Pix — diz.

Para Marcelo Carvalho, coordenador de pesquisas do Centro de Estudos Aplicados de Marketing (Ceam) da ESPM, a mudança vai além da tecnologia e está diretamente ligada à experiência de consumo.

— O dinheiro deixa de ser um objeto físico que circula entre as pessoas e passa a funcionar como uma infraestrutura digital integrada ao cotidiano — explica.

Em relação ao futuro, a pesquisa indica que 79% dos entrevistados acreditam que os meios de pagamento digitais poderão, em algum momento, substituir o dinheiro físico. Quintarelli avalia que as cédulas ainda têm papel relevante em compras de baixo valor, mas afirma que a tendência é de redução gradual do uso.

— A tendência é diminuir com os anos. Espera-se queda para menos de 10% das transações, com domínio de Pix, Open Finance e pagamentos por aproximação nos próximos anos. O caixa “só digital” deve se tornar cada vez mais comum — conclui.

Colaborou Marcos Furtado.