Finanças
Cinco perguntas comuns em entrevistas de emprego para jovens e como respondê-las
Pesquisa da Catho aponta os questionamentos mais frequentes à Geração Z; especialistas explicam o que recrutadores esperam dos candidatos
A entrevista de emprego costuma ser um momento de apreensão para muitos candidatos. O desempenho diante das perguntas pode ser decisivo para conquistar uma vaga e, no caso dos mais jovens, representar a porta de entrada para o mercado de trabalho.
Uma pesquisa da plataforma de empregos Catho identificou as perguntas mais feitas à Geração Z em processos seletivos. As principais são: “Conte um pouco sobre você” (60,3%); “Quais são seus pontos fortes e fracos?” (27,4%); “Como você lida com prazos e pressão?” (26,8%); “Por que gostaria de trabalhar na nossa empresa?” (25,9%); e “Por que você escolheu essa carreira/área de atuação?” (25,3%).
Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, não há uma fórmula pronta para responder às perguntas em uma entrevista, mas a preparação faz diferença.
— Não existe uma fórmula pronta, porque recrutamento não é uma ciência exata. O que existe é uma estrutura que ajuda o candidato a transmitir clareza, maturidade e coerência. Um dos maiores erros que observo é quando o profissional tenta decorar respostas encontradas na internet — afirma.
Entrevista é como uma venda
Marcella Moura, especialista em Recursos Humanos e sócia da Acerta Consultoria, compara a entrevista a uma venda. Segundo ela, o candidato precisa organizar seus argumentos para se apresentar de forma objetiva e convincente.
— O ideal é que o candidato apresente seu contexto, destaque experiências ou competências relevantes, mostre o que aprendeu ao longo da trajetória e faça uma conexão com os valores da empresa em que está disputando a vaga — explica.
Mesmo sem uma resposta única para cada pergunta, especialistas apontam caminhos para que os jovens se preparem melhor. Confira as orientações:
“Conte um pouco sobre você”
Segundo Marcella, o recrutador quer entender quem é o candidato e de que forma sua trajetória se relaciona com a vaga. A recomendação é evitar transformar a resposta em uma biografia longa. O ideal é fazer uma apresentação objetiva, destacando formação, experiências relevantes, habilidades e interesses profissionais.
Teixeira considera essa uma das perguntas mais importantes da entrevista, pois influencia a primeira impressão do recrutador. Para ele, a resposta deve conectar passado, presente e futuro: quem o candidato é, o que fez até o momento e para onde pretende seguir profissionalmente.
“Quais são seus pontos fortes e fracos?”
Ao fazer essa pergunta, o recrutador avalia o nível de autoconhecimento do candidato e seu alinhamento com os valores da empresa, explica Marcella. Ao falar dos pontos fortes, os especialistas recomendam citar competências reais e, sempre que possível, apresentar exemplos. Já os pontos fracos devem ser tratados com maturidade, demonstrando consciência e evolução.
Segundo Teixeira, um erro comum é dizer que é “perfeccionista” ou tentar transformar uma qualidade em defeito. O recrutador espera honestidade e maturidade, não respostas ensaiadas.
“Como você lida com prazos e pressão?”
Nessa pergunta, o objetivo é entender como o candidato reage a desafios e demandas do dia a dia. Marcella orienta demonstrar organização, planejamento e capacidade de definir prioridades.
Teixeira recomenda recorrer a exemplos concretos. O candidato pode relatar situações em que precisou reorganizar tarefas, redefinir prioridades ou tomar decisões sob pressão.
“Por que gostaria de trabalhar na nossa empresa?”
Marcella destaca que é fundamental pesquisar a empresa antes da entrevista, buscando informações sobre valores, produtos, serviços e cultura organizacional. Respostas focadas apenas em salário, benefícios ou estabilidade costumam ser menos valorizadas.
Para Teixeira, é indispensável mostrar por que há alinhamento entre os objetivos do candidato e o propósito da empresa.
“Por que você escolheu essa carreira/área de atuação?”
De acordo com Marcella, o recrutador busca compreender a motivação profissional do candidato. A orientação é explicar o que despertou o interesse pela área, quais experiências reforçaram essa escolha e quais são os objetivos de desenvolvimento profissional.
Mesmo para jovens em início de carreira, demonstrar entusiasmo, curiosidade e disposição para aprender costuma causar uma boa impressão, afirma a especialista.
Teixeira acrescenta que a resposta ideal conecta interesses, experiências e objetivos futuros, demonstrando consistência na trajetória. Para ele, não podem faltar vontade de aprender e uma visão de crescimento dentro da profissão escolhida.
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