Finanças
Casais empreendedores: cinco dicas para tocar negócios a dois
Modelo ganha espaço no mercado de franquias, mas especialistas alertam para a importância de separar vida pessoal e profissional, definir papéis e profissionalizar a gestão
Um modelo de gestão tem ganhado destaque entre empreendedores: uma sociedade formada por parceiros de vida. A confiança mútua e o alinhamento de propósitos entre casais, namorados ou casados, podem ajudar a resultados de cooperação e fortalecer a condução do negócio.
No empreendedorismo, o mercado de franquias aparece como uma alternativa para casais que desejam empreender juntos. O setor oferece uma estrutura de negócio já testada, com suporte contínuo, o que pode trazer mais segurança a quem ingressa pela primeira vez no ecossistema empresarial.
No caso da rede carioca de clínicas SorriaMed, a união dos especialistas dos dentistas Leonardo Acioli e Carolina Prata permitiu que o negócio crescesse de forma estruturada. Antes proprietários de empresas independentes, os dois decidiram unificar as operações em torno de uma única marca, com divisão de funções baseadas nas habilidades de cada um.
Neste ano, a marca lançou seu braço de estética, com Carolina Prata à frente da operação. A empresa conta com unidades em bairros como Méier, Barra da Tijuca e Taquara, entre outros.
— Uma sociedade é como um casamento: você busca alguém alinhado aos seus valores. O Leonardo tem um forte poder de networking, além de ser um perfil desbravador, sempre trazendo ideias inovadoras. Já eu sou mais na organização e na gestão dos processos, estruturando essas novidades para que elas se tornem possíveis. Esse complemento permite sanar as dificuldades de cada um no nosso dia a dia — explica Carolina.
De acordo com Luana Fernandez, especialista em RH e sócia da Acerta Consultoria, muitos dos desafios enfrentados por casais empreendedores são semelhantes aos observados em empresas familiares, como conflitos de comunicação, falta de definição de responsabilidades e dificuldade para separar questões pessoais das profissionais.
— Quando o casal consegue estabelecer limites de segurança e manter uma postura profissional dentro da empresa, a parceria tende a se tornar uma grande vantagem competitiva. O problema surge quando as emoções passam a conduzir as decisões do negócio — alerta Luana.
Mesmo diante dos desafios, o especialista afirma que a combinação entre relacionamento afetivo e vida profissional pode gerar bons resultados quando há clareza de papéis e uma gestão estruturada.
— O relacionamento pode ser um grande ativo para a empresa, mas precisa ser administrado com a mesma seriedade dedicada a qualquer outra área do negócio.
Confira cinco dicas para casais que empreendem juntos
Para que essa jornada seja bem-sucedida, Luana aponta cinco orientações, que vão do planejamento à comunicação e à profissionalização da gestão.
1. Estabelecer papéis e responsabilidades bem definidos
Um dos principais desafios de casais que trabalham juntos é evitar a sobreposição de funções. Quando ambos atuam nas mesmas áreas ou tomam decisões sem alinhamento prévio, os conflitos tendem a aumentar. Para Luana, a definição clara das responsabilidades de cada sócio contribui para uma gestão mais profissional e redução de desgastes desagradáveis.
— Cada pessoa precisa saber exatamente qual é a sua área de atuação e quais decisões estão sob sua responsabilidade. Isso evita retrabalho, disputas de autoridade e torna os processos mais eficientes.
2. Separar a relação pessoal do profissional
Levar problemas de trabalho para casa ou trazer questões pessoais para o ambiente corporativo pode afetar tanto o relacionamento quanto o desempenho da empresa. Para um especialista, estabelecer limites claros é fundamental.
— É importante criar momentos dedicados exclusivamente à vida pessoal. O casal precisa preservar espaços de convivência que não estejam relacionados ao negócio para manter a qualidade da relação e evitar sobrecarga emocional.
3. Manter uma comunicação transparente e respeitosa
Negócios administrados por casais alternados constantemente. Divergências de opinião são naturais, mas precisam ser tratadas de forma construtiva.
— O diálogo deve ser objetivo, transparente e respeitoso. Saber ouvir o outro e entender pontos de vista diferentes fortalece a parceria e evita que conflitos internos acabem impactando a equipe e o ambiente de trabalho — afirma Luana.
Segundo o especialista, uma comunicação saudável também contribui para transmitir mais segurança aos colaboradores, que percebem maior estabilidade na liderança.
4. Profissionalizar a gestão desde o início
Mesmo em empresas de pequeno porte, a adoção de processos, metas e indicadores é essencial para garantir sustentabilidade e crescimento. De acordo com Luana Fernandez, quando a gestão depende apenas da dinâmica emocional do casal, o risco de decisões impulsivas aumenta significativamente.
— A profissionalização da gestão ajuda a criar critérios para a tomada de decisões e reduzir a influência de fatores emocionais. Isso gera mais confiança para colaboradores, clientes e parceiros.
5. Desenvolver gestão emocional e equilíbrio nas decisões
Empreender envolve desafios constantes, pressão por resultados e momentos de incerteza. Quando o casal compartilha a gestão da empresa, situações essas podem se tornar ainda mais intensas. Para um especialista, desenvolver a gestão emocional é um diferencial importante para a saúde do negócio e da relação.
— Nem sempre haverá concordância em todas as decisões. A capacidade de lidar com divergências, administrar o estresse e buscar soluções de forma racional é fundamental para preservar tanto o relacionamento quanto os resultados da empresa — explica.
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