Finanças
Petrobras inicia reocupação de sede histórica no Centro do Rio
Edise terá 6 mil estações de trabalho após reforma que preservou o projeto original e modernizou a infraestrutura do edifício
A Petrobras inicia, nesta sexta-feira, a reocupação gradual do Edise, edifício-sede da companhia no Centro do Rio de Janeiro, após a maior intervenção já realizada no prédio desde sua inauguração, há cerca de 50 anos.
Ícone da arquitetura modernista brasileira e presença marcante na paisagem entre a Lapa e a Avenida República do Chile, o edifício passou por uma ampla revitalização para preservar suas características originais e preparar sua estrutura para as próximas décadas.
Segundo a estatal, a ocupação será feita de forma gradual ao longo dos próximos meses. Ao fim do processo, o prédio terá capacidade para abrigar 6 mil estações de trabalho.
Quem passou pela região nos últimos anos acompanhou uma cena incomum: sem os tradicionais brise-soleils de alumínio que moldam sua fachada, o Edise revelou uma face raramente vista. Com os andares esvaziados, suas grandes colunas estruturais ficaram totalmente expostas, despertando a curiosidade de cariocas e profissionais da arquitetura.
— Recentemente fui ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RJ), no 23º andar do antigo prédio do BNH, ali do lado, e quando olhei pela janela disse: “Caramba”. Causa surpresa. É um prédio de arquitetura marcante, é natural que as pessoas fiquem curiosas ao perceber essas mudanças — afirmou Marcela Abla, presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro (IAB-RJ), em entrevista ao GLOBO no ano passado.
Reforma bilionária
A revitalização foi motivada pelo desgaste natural provocado por décadas de uso e pela necessidade de adequação às normas atuais de segurança predial. De acordo com a Petrobras, esta é a primeira reforma completa do imóvel desde sua inauguração.
As obras começaram efetivamente em 2021, sofreram uma interrupção temporária e foram retomadas em 2024. O investimento previsto ultrapassa R$ 1,3 bilhão, e a conclusão dos trabalhos está estimada para setembro de 2027. A execução está sob responsabilidade da Engemon Comércio e Serviços Técnicos Ltda.
O contrato inclui elaboração de projeto executivo, construção, montagem e desmontagem, comissionamento, suporte à pré-operação, operação assistida e fornecimento de bens para a revitalização tanto do Edise quanto do Gedise, edifício-garagem da companhia.
Além da renovação completa da infraestrutura, com substituição de tubulações, cabos elétricos e sistemas de combate a incêndio, a reforma prevê a adaptação dos ambientes aos modelos contemporâneos de escritório e a incorporação de tecnologias mais atuais.
A fachada também passou por ampla intervenção. Todos os vidros e brise-soleils foram substituídos, com preservação das características originais do projeto arquitetônico.
Concurso que mudou a paisagem do Rio
A história do Edise começou antes do início das obras. O projeto nasceu de um concurso nacional promovido em 1967 pelo então Instituto de Arquitetos do Brasil da Guanabara.
A disputa reuniu mais de 200 propostas e teve como vencedores os integrantes do chamado “Grupo do Paraná”: José Maria Gandolfi, Abrão Anis Assad, José Sanchotene, Luiz Forte Netto, Roberto Luiz Gandolfi e Vicente de Castro Neto.
Os jardins do complexo, outro elemento marcante do conjunto arquitetônico, foram concebidos por Roberto Burle Marx e também tiveram suas características preservadas durante a revitalização.
Localizado na Avenida República do Paraguai, o Edise divide a paisagem do Centro com outro ícone carioca: a Catedral Metropolitana de São Sebastião. As duas construções, erguidas praticamente no mesmo período, passaram recentemente pelas primeiras intervenções estruturais de grande porte desde suas inaugurações.
A cerimônia que marca o retorno das equipes está prevista para as 16h e contará com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, integrantes da diretoria executiva e outras autoridades.
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