Finanças
Lula acusa EUA de mentir ao citar desmatamento para taxar produtos brasileiros
Inpe aponta queda de 61,4% nos alertas na Amazônia em maio; governo diz que resultado rebate críticas americanas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a afirmar que os Estados Unidos “mentiram” ao incluir questões ambientais entre as justificativas para impor tarifas sobre produtos brasileiros. A declaração foi dada nesta quinta-feira, durante visita à sala de monitoramento do Observatório Regional Amazônico, onde foram apresentados novos dados sobre o desmatamento na Amazônia e no Cerrado.
Segundo números divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 61,4% em maio de 2026, na comparação com o mesmo mês de 2025. Trata-se do maior recuo já registrado para o período na série histórica. No acumulado de dez meses, entre agosto de 2025 e maio de 2026, a redução chega a 37,5%.
No Cerrado, os alertas também apresentaram retração. Em maio, a queda foi de 12,2% em relação ao mesmo mês do ano passado e de 25,3% na comparação com maio de 2024. No acumulado dos últimos dez meses, a redução foi de 8,2% ante o período anterior.
Ao comentar os resultados, Lula criticou as alegações apresentadas pelos norte-americanos.
— Agora é hora da comparação. Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030 — afirmou o presidente.
Lula disse que o combate ao desmatamento é uma decisão do governo brasileiro, e não resultado de pressões externas.
— Isso não é uma decisão de nenhuma COP, não é da ONU. É do nosso governo. O desmatamento pode ajudar uma pessoa a ficar rica, até duas, mas o não desmatamento ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo — declarou.
Presidente pretende responder
O presidente também afirmou que pretende responder às críticas internacionais com dados e comparações objetivas.
— A minha guerra é narrativa, é mostrar que nós estamos certos e vocês errados. Com o Brasil não é assim. Nós queremos civilidade, comércio e desenvolvimento para os dois países — disse.
O ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, classificou os números como um resultado “histórico” e afirmou que eles rebatem diretamente as acusações feitas pelos Estados Unidos.
— A queda é algo realmente histórico. Esse número é o menor da história e estamos trabalhando para ter o menor número final. Esse será um feito para o Brasil. E põe por terra a acusação injusta e improcedente dos EUA, que incluiu o desmatamento como uma causa para justificar a imposição de tarifas — afirmou.
Os dados foram apresentados em um momento de aumento das tensões comerciais entre Brasília e Washington. Em relatórios recentes, autoridades americanas apontaram supostas falhas ambientais e problemas relacionados à exploração florestal como parte dos argumentos para justificar medidas comerciais contra o Brasil.
Ações ambientais
Além dos dados sobre desmatamento, o governo apresentou um balanço das ações ambientais implementadas nos últimos anos. Entre elas estão a retomada do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), com meta de recuperação de áreas degradadas, e o aporte de R$ 450 milhões do Fundo Amazônia por meio do programa Arco da Restauração, além da ampliação da fiscalização ambiental.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Amazônia completa 18 anos com R$ 5,4 bilhões já comprometidos em projetos e outros R$ 2,9 bilhões em análise. O governo também destacou o aumento das ações de fiscalização do Ibama e do ICMBio e a retomada dos planos de combate ao desmatamento em todos os biomas brasileiros.
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