Finanças
Lula sinaliza que pode receber Alcolumbre para discutir fim da escala 6x1
Uma ala do governo defende reabrir o diálogo com o presidente do Senado; outra avalia que encontro pode demonstrar concessão à pressão política
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou aos auxiliares que devem atender ao pedido do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para uma conversa. Entre os temas previstos está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da jornada 6x1, considerada prioridade pelo Palácio do Planalto. Outros assuntos, no entanto, também devem entrar na pauta.
A relação entre o Planalto e o Senado se deteriorou após a articulação atribuída a Alcolumbre para derrubar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), episódio que impôs uma derrota histórica ao governo Lula. O presidente não tem escondido de aliados o descontentamento com o senador.
Apesar da perturbação generalizada com a atuação de Alcolumbre no caso Messias e com outras intervenções contra o governo — como o trabalho de projetos, entre eles a Redata, trouxe o incentivo ao setor de data centers, considerada uma fronteira importante de novos investimentos —, há divergências internacionais sobre como lidar com o presidente do Senado.
Ai do governo
Uma ala do governo defende reabrir o diálogo e tentar reconstruir a ponte entre os dois chefes de Poderes. O argumento é que o Planalto precisa dar andamento à agenda governamental e evitar novos ruídos com o Congresso em ano eleitoral.
Outra ala, no entanto, avalia que Lula não deveria receber Alcolumbre em um contexto no qual o senador estaria colocando "a faca no pescoço" do governo para tentar obter concessões, especialmente em um momento politicamente mais delicado para ele no Amapá.
Esses aliados, ligados à mais política considerada, afirmam que é preciso avaliar como essa aproximação ocorreria, de modo a evitar a imagem de que Lula estaria cedendo à pressão do senador. A ausência de um dado concreto para o encontro parece refletir justamente esse impasse sobre a melhor estratégia para o Planalto.
Melhora nas pesquisas
Em meio às discussões, a melhoria de Lula nas pesquisas eleitorais e nos índices de aprovação do governo, somada a um cenário de baixa de Alcolumbre em seu estado, é apontada por interlocutores do Planalto como um fator que pode levar o senador a reduzir a resistência e acelerar uma reaproximação.
Por enquanto, contudo, além do pedido de audiência com o presidente, o chefe dos senadores não fez nenhum gesto concreto considerado relevante para sinalizar uma bandeira branca ao Planalto, segundo a avaliação de governadores.
A tensão mais recente ocorreu com a aprovação do projeto de renegociação de dívidas do agronegócio. Embora atribuída à forte pressão da bancada ruralista, a votação contrária apelou da equipe econômica para que o tema não fosse levado adiante naquele momento.
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