Finanças

OpenAI acusa contas ligadas à China de estimular oposição a data centers nos EUA

Empresa afirma que perfis usaram o ChatGPT para criar publicações em inglês sobre alta no custo da eletricidade atribuída aos centros de dados

Agência O Globo - 11/06/2026
OpenAI acusa contas ligadas à China de estimular oposição a data centers nos EUA
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: OpenAI (GPT Image)

A OpenAI afirmou que um grupo de contas do ChatGPT ligadas à China tentou incitar a oposição local à instalação de data centers nos Estados Unidos. Segundo relatório divulgado pela empresa nesta quarta-feira, contas com origem na China usaram inteligência artificial para criar publicações em inglês nas redes sociais sobre o aumento do custo da eletricidade para os americanos, atribuindo a alta aos centros de dados.

A empresa informou que as contas provavelmente estavam vinculadas a uma companhia privada de tecnologia chinesa, cujo nome não foi divulgado, que presta serviços a clientes do governo provincial da China.

De acordo com a OpenAI, as postagens não tiveram grande repercussão, mas levantam preocupação sobre possíveis tentativas estrangeiras de prejudicar uma indústria considerada estratégica para os Estados Unidos.

A empresa reconheceu que existe um “debate legítimo” sobre inteligência artificial e data centers no país, mas afirmou que as contas identificadas tentavam manipular essa discussão ao se passarem por cidadãos americanos comuns e publicarem conteúdos divisivos gerados por IA.

Resistência de comunidades locais

Após anos de incentivos e isenções fiscais para a instalação de data centers, empresas de tecnologia enfrentam agora crescente resistência de comunidades locais aos planos de construção de novas e maiores estruturas destinadas a dar suporte à inteligência artificial.

Essa oposição ameaça dificultar a expansão da infraestrutura que companhias do Vale do Silício, incluindo a OpenAI, consideram necessária para atender à demanda crescente por seus softwares e manter a liderança no desenvolvimento de IA em relação à China.

A reação negativa é alimentada por preocupações com o impacto dos centros de dados no abastecimento de água, no aumento das contas de energia e no avanço de uma tecnologia que, segundo críticos, pode afetar meios de subsistência e empregos.

Em 2025, a oposição de comunidades locais bloqueou ou atrasou dezenas de projetos nos Estados Unidos, que somavam mais de US$ 150 bilhões em investimentos potenciais, de acordo com a Data Center Watch, empresa de pesquisa do setor. Autoridades públicas, entre elas o senador Bernie Sanders, também defenderam moratórias para novos data centers.

Mais recentemente, líderes republicanos e executivos do setor de tecnologia passaram a alegar que a desinformação proveniente da China estaria contribuindo para fomentar a resistência aos centros de dados.

No início deste mês, membros republicanos influentes do Congresso enviaram uma carta à administração Trump alertando sobre “campanhas de influência estrangeira” destinadas a desacelerar o avanço americano em inteligência artificial e bloquear o desenvolvimento da infraestrutura necessária para impulsioná-la.

No relatório, a OpenAI afirmou ter encontrado publicações de contas ligadas à China que compartilhavam charges sobre aumentos nos preços da eletricidade e imagens de robôs carregando sacos de dinheiro, com a mensagem de que as “pessoas comuns” estariam arcando com os custos da indústria de IA.

“Quero deixar bem claro: este não foi um caso de uma operação de influência criando um debate. O debate já existia”, disse Ben Nimmo, investigador principal da equipe de inteligência e investigações da OpenAI, durante uma teleconferência com jornalistas. “Esta foi uma operação de influência da China tentando interferir nele.”

A OpenAI afirmou que o padrão das postagens se assemelha a operações de influência ligadas à China já identificadas anteriormente pelo Instituto Australiano de Política Estratégica e pela Mandiant, voltadas contra empresas que buscam reduzir a dependência da indústria chinesa de terras raras.

A empresa também informou ter identificado campanhas recentes, originadas de contas com ligações à China, que criticavam tarifas americanas sobre tecnologias estrangeiras.

“Esses temas provavelmente continuarão sendo atraentes para operações de influência originárias da China, porque podem ser inseridos em debates públicos legítimos, ao mesmo tempo que instigam a desconfiança do público em relação às instituições americanas, às empresas de tecnologia e às escolhas políticas democráticas, ajudando Pequim a obter uma vantagem estratégica no desenvolvimento da IA”, afirmou a OpenAI no relatório.