Finanças

Equipe econômica recebe sinal de que Alcolumbre deve barrar pautas-bomba, mas receio persiste

Integrantes do Planalto temem que presidente do Senado use propostas de alto impacto fiscal para desgastar o governo em ano eleitoral

Agência O Globo - 10/06/2026
Equipe econômica recebe sinal de que Alcolumbre deve barrar pautas-bomba, mas receio persiste
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre. - Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A equipe econômica recebeu do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a sinalização de que ele pretende segurar, no plenário da Casa, a votação das chamadas pautas-bomba — propostas com elevado impacto fiscal sobre as contas públicas. Apesar do aceno, as negociações entre a área econômica, a Secretaria de Relações Institucionais e o comando do Senado continuam em andamento.

Nos bastidores, o sentimento no governo é ambíguo. Há certo otimismo de que Alcolumbre atenda aos pedidos do Executivo e evite o avanço de medidas como a ampliação de benefícios para agentes comunitários de saúde e a criação de um piso nacional para médicos. Ao mesmo tempo, integrantes do governo admitem que a sequência de derrotas recentes, especialmente com a aprovação dessas propostas em comissões do Senado, dificulta uma leitura mais favorável do cenário.

Nesta quarta-feira, o governo voltou a sofrer reveses em votações da proposta de emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia do Banco Central, além de medidas relacionadas aos agentes comunitários de saúde e ao piso dos médicos.

Também preocupa o Palácio do Planalto a possibilidade de o Senado levar ao plenário o projeto de renegociação das dívidas rurais, que tem forte apoio da bancada do agronegócio e já foi aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

Integrantes do Planalto temem que o presidente do Senado utilize essas pautas para impor desgaste ao governo em ano eleitoral. Alcolumbre e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estão afastados desde que o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). No governo, a avaliação é de que Alcolumbre teve papel decisivo na derrota do indicado de Lula.

Um ministro que despacha com frequência com o presidente, sob reserva, afirma que o governo está muito preocupado com o avanço dessas propostas, mas defende que o Parlamento também assuma responsabilidade no debate. Segundo ele, o equilíbrio fiscal deve ser uma preocupação conjunta do Executivo e do Legislativo, e não apenas do governo federal.

Essa apreensão foi apresentada a Alcolumbre, em reunião nesta terça-feira, pelos ministros Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, e Fernando Haddad, da Fazenda. Pela manhã, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, tratou do tema com senadores do PT durante reunião da bancada e cobrou articulação dos parlamentares para evitar o avanço das pautas de impacto fiscal.

O temor da equipe econômica é que a aprovação desse conjunto de medidas amplie as pressões sobre as contas públicas justamente no momento em que o governo busca reforçar o compromisso com o equilíbrio fiscal e cumprir as metas previstas no arcabouço fiscal.

Paralelamente às negociações para conter as propostas de alto impacto nas contas públicas, articuladores políticos do governo trabalham para viabilizar uma reunião entre Lula e Alcolumbre.

A expectativa é que o encontro ajude a destravar a tramitação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1, uma das principais bandeiras defendidas por setores da base governista. Segundo interlocutores envolvidos nas conversas, a reunião é considerada certa, mas ainda não há data definida.