Finanças
Lula reúne Conselhão e deve reforçar defesa da soberania contra tarifaço de Trump
Presidente deve tratar do Pix, alvo de questionamentos dos EUA, e buscar unidade com empresários e sociedade civil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve usar a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão, nesta quarta-feira, para reforçar o discurso em defesa da soberania brasileira diante da nova ofensiva do governo dos Estados Unidos contra o país. Entre os pontos em debate estão a proposta de imposição de novas tarifas a produtos brasileiros e a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Lula está previsto para discursar no evento. Em sua fala, deve fazer uma defesa do Pix, que entrou na mira dos EUA e passou a ser explorado na disputa política entre o petista e Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como um de seus principais adversários no cenário eleitoral. Outro tema que deve ser abordado são as chamadas terras raras, minerais estratégicos que têm sido alvo de negociação entre Brasil e Estados Unidos.
A defesa da soberania nacional e do Pix se tornou o ponto central da reação brasileira às medidas anunciadas pelos EUA. O tema também passou a ser tratado como trunfo político por Lula, que acusa a família Bolsonaro, especialmente Flávio, de articular sanções junto ao presidente americano, Donald Trump.
Segundo o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, a defesa da soberania dará a “linha” da plenária. A ideia, de acordo com ele, é construir unidade entre governo e sociedade civil em torno do assunto.
— Vai ser uma das mais concorridas reuniões do Conselhão. A ideia é a gente buscar construir um discurso, ouvindo os conselheiros e conselheiras, para a construção de uma unidade nacional de defesa da soberania. Essa é a ideia, vamos conversar — afirmou o ministro.
Outro tema que deve ser tratado por Lula é sua participação na Cúpula do G7, marcada para ocorrer entre os dias 15 e 17 deste mês, na França. Inicialmente, o petista não pretendia comparecer, mas, após a nova decisão dos EUA, resolveu participar do encontro. A previsão é de que o presidente americano também esteja presente.
Recriado em 2023, com a volta de Lula ao Palácio do Planalto, o Conselhão é composto por representantes da sociedade civil e tem a função de assessorar o presidente na formulação de políticas públicas e diretrizes de governo. Esta será a sétima reunião do colegiado e ocorrerá no Palácio do Itamaraty.
Guimarães também discursará no encontro. Em sua fala, deverá abordar o contexto de instabilidade global, marcado por guerras e disputas comerciais, além de destacar a importância, na avaliação do governo, de o Brasil se posicionar de forma firme no cenário internacional.
O ministro também deve defender o diálogo como caminho para garantir governabilidade e citar pautas prioritárias aprovadas ou em tramitação no Congresso Nacional.
Também estão previstas as participações do vice-presidente Geraldo Alckmin, da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e de ministros do governo. Durante o evento, será apresentado um balanço dos trabalhos do colegiado. À tarde, a programação prevê um painel para debater a agenda internacional.
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