Finanças
Dino dá cinco dias para entidades, Congresso e Presidência se manifestarem sobre plano de reestruturação da CVM
Após receber as manifestações, o ministro avaliará se o plano atende às exigências definidas diante do quadro de "carência fiscalizatória" no mercado de capitais e da determinação de reestruturação da Comissão de Valores Mobiliários.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu prazo de cinco dias para que partidos políticos, entidades da sociedade civil, o Congresso Nacional e a Presidência da República se manifestem sobre o plano emergencial de reestruturação da atividade fiscalizatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Após receber as manifestações, Dino decidirá se o plano apresentado é suficiente e se atende às balizas estabelecidas quando identificou um cenário de "carência fiscalizatória" no mercado de capitais, o que motivou a determinação de uma "atuação repressiva de choque" por parte da CVM.
Ao solicitar os pareceres, o ministro destacou a urgência na reestruturação dos sistemas de regulação e fiscalização, mencionando a nova etapa da Operação Carbono Oculto, que apura o uso de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizados e outros mecanismos para lavagem de dinheiro por facções armadas e organizações criminosas.
Dino ressaltou a importância da CVM na reestruturação dos sistemas de regulação e fiscalização, mas também citou a atuação de órgãos como Banco Central e COAF, que, segundo ele, "compõem o ecossistema de blindagem da ordem econômica e da economia popular".
Em atendimento à decisão liminar do ministro, a União apresentou ao STF um plano estruturado em quatro frentes de atuação, com medidas emergenciais para ampliar imediatamente a capacidade operacional da CVM. Entre as ações, estão iniciativas estruturantes para o fortalecimento permanente das atividades supervisora, tecnológica e sancionadora da autarquia.
O documento prevê a redução do estoque processual nas áreas técnicas e no colegiado da CVM, por meio de forças-tarefa especializadas, mutirões de análise de termos de compromisso, organização de pautas prioritárias e uso de critérios de criticidade e risco prescricional para seleção dos processos. Também está prevista a convocação de candidatos já aprovados em concursos públicos, eventual contratação temporária de servidores para funções estratégicas e reforço técnico do colegiado.
O plano inclui ainda investimentos em infraestrutura computacional, plataformas integradas de dados, ferramentas de inteligência artificial, automação de rotinas e programas de capacitação em análise de dados. Estão previstas medidas para ampliar a capacidade de obtenção, integração e tratamento de dados, por meio de acordos de cooperação técnica com órgãos como Banco Central, COAF, Receita Federal, Polícia Federal, Ministérios Públicos e entidades de autorregulação.
Além disso, o documento propõe o fortalecimento da supervisão preventiva da indústria de fundos, com a implementação de painéis de risco, rotinas de auditoria e verificação de lastro, classificação supervisora baseada em risco e mapeamento conjunto de estruturas situadas em zonas regulatórias sensíveis ou de sobreposição institucional.
De acordo com a União, o orçamento do plano está vinculado à arrecadação da taxa de fiscalização do mercado, conforme decisão de Dino. O cronograma de implementação das medidas foi estruturado em ciclos sucessivos até 2026.
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