Finanças

Crédito bancário cresce 0,3% em abril, mas juros e inadimplência continuam em alta

Taxa média do crédito livre para pessoas físicas chega a 63% ao ano, enquanto inadimplência das famílias segue trajetória de alta

Agência O Globo - 28/05/2026
Crédito bancário cresce 0,3% em abril, mas juros e inadimplência continuam em alta
Banco Central do Brasil - Foto: Reprodução

O Banco Central (BC) divulgou nesta quinta-feira que o ritmo de crescimento do crédito no país desacelerou em abril, em meio à elevação dos juros e ao aumento da inadimplência das famílias. Os dados constam do relatório de Estatísticas Monetárias e de Crédito da autoridade monetária.

Segundo o BC, o estoque total de crédito do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,2 trilhões em abril, registrando alta de 0,3% no mês e de 9,3% em 12 meses. Em março, o crescimento acumulado em um ano foi de 9,8%, o que indica uma desaceleração no ritmo.

O desempenho foi impactado principalmente pela perda de fôlego nas operações tanto com empresas quanto com famílias. O crédito para pessoas jurídicas cresceu 6,7% em 12 meses, abaixo dos 7,6% recebidos até março. Já o crédito às famílias avançou 10,8%, ante 11,1% no mês anterior.

O relatório também destaca que o encarecimento do crédito segue instruções a consumidores e empresas. A taxa média de juros das concessões bancárias subiu para 33,8% ao ano em abril, um aumento de 0,6 ponto percentual no mês e de 2,4 pontos em relação ao mesmo período de 2023.

No crédito com recursos livres — modalidade em que os bancos têm maior autonomia para definir taxas — os juros médios chegaram a 49,5% ao ano. Para pessoas físicas, a taxa alcançou 63% ao ano, avanço de 5 pontos percentuais em 12 meses. O BC aponta como principais fatores de pressão a alta das taxas do crédito pessoal sem consignação e do cartão de crédito rotativo.

Entre as empresas, os juros médios do crédito livre ficaram em 25,3% ao ano, influenciados pelo aumento das taxas do cheque especial empresarial.

Apesar do cenário de juros elevados, as concessões de crédito continuaram crescendo. Os bancos liberaram R$ 691,5 bilhões em empréstimos em abril. Considerando os dados ajustados sazonalmente, houve alta de 2,1% no mês, impulsionada principalmente por operações com empresas.

A inadimplência também acompanhou a trajetória de alta. O percentual de atrasos acima de 90 dias na carteira total de crédito atingiu 4,4% em abril, alta de 0,9 ponto percentual em 12 meses. Entre as famílias, a inadimplência chegou a 5,4%, enquanto no crédito livre para pessoas físicas o índice alcançou 7,2%.

Os indicadores de endividamento permanecem elevados. O comprometimento de renda das famílias ficou em 29,3% em março, aumento de 1,3 ponto percentual em 12 meses. Já o endividamento das famílias atingiu 49,8% da renda acumulada no período.

O relatório do BC também apontou crescimento do chamado crédito ampliado ao setor não financeiro, que inclui empréstimos bancários, títulos públicos e privados. O estoque chegou a R$ 21,1 trilhões em abril, equivalente a 162,7% do PIB, com expansão de 11,1% em 12 meses.