Finanças

Lula deve procurar Alcolumbre para discutir fim da escala 6x1 no Senado

Presidentes da República e do Senado têm relação abalada após rejeição de Jorge Messias ao STF

Agência O Globo - 28/05/2026
Lula deve procurar Alcolumbre para discutir fim da escala 6x1 no Senado
Davi Alcolumbre - Foto: © Foto / Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira (27) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá procurar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para defender a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que propõe fim à jornada 6x1. Marinho também disse que participará das negociações com os senadores.

— Creio que o presidente Davi terá sensibilidade — declarou o ministro.

O anúncio ocorre um dia após Alcolumbre se reunir com representantes do empresário, liderados pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O setor produtivo avaliou que não há mais espaço para diálogo com deputados antes da apreciação da proposta na Câmara e, por isso, decidiu concentrar esforços junto aos senadores.

Entre as demandas do empresariado está o pedido para que a votação do texto ocorra apenas após as eleições de outubro, com o objetivo de desvincular o debate sobre a redução da jornada do calendário eleitoral.

Outra solicitação é que o relator da proposta no Senado não esteja concorrendo à reeleição, para evitar que o debate seja afetado pelo período eleitoral. A tramitação da PEC começa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida por Otto Alencar (PSD-BA), aliado de Lula. Alcolumbre não se manifestou publicamente sobre o tema após o encontro.

Desde a denúncia da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a relação entre Lula e Alcolumbre ficou estremecida. Questionado se a “sensibilidade” do senador superará a crise, Marinho respondeu:

— Com certeza. Eles (Lula e Davi) podem ficar três meses sem se falar, mas voltam a conversar calorosamente.

O ministro evitou estipular prazo para a votação da PEC no Senado e destacou que a proposta exige composição entre diferentes visões:

— O Senado tem o tempo dele. O que a gente pede é que faça o mais rápido possível. Espero que o Senado tenha sabedoria de manter o relatório para não ter que voltar para cá e depois retornar ao Senado.