Finanças
Os bastidores da aprovação do fim da escala 6x1
Presidente da Câmara dos Deputados negociou diretamente com Lula os termos do texto que foi levado à votação
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (27), com ampla maioria, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece fim à jornada de trabalho 6x1. O resultado reforça a liderança do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), em um dia marcado por debates entre governistas e oposição. No primeiro turno, foram 472 votos elaborados e 22 contrários; no segundo turno, 461 a 19.
Lideranças ouvidas pela reportagem avaliam que Motta sai fortalecido do processo, especialmente em um momento de críticas à Câmara por parte da sociedade civil. Por ser uma pauta popular e de grande alcance, o presidente da Câmara atuou para destravar a proposta, buscando também ganhos eleitorais.
Motta manteve o próximo diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos últimos dias, ambos conversaram ao menos três vezes, segundos relatos. Alcolumbre afirmou, em conversas reservadas, que não pretende segurar nem acelerar a tramitação da matéria no Senado, embora o rito ainda não esteja definido.
O presidente do Senado deve procurar presidentes de comissões e líderes partidários nos próximos dias para discutir o tema. O calendário, no entanto, é considerado apertado para aprovar a PEC antes do início do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho. Outro desafio é o distanciamento entre Alcolumbre e Lula, em meio ao estresse entre o Senado e o Palácio do Planalto. Apesar disso, o resultado expressivo na Câmara pressionou Alcolumbre a não criar obstáculos à tramitação da proposta.
Prioridade para o governo
A redução da jornada de trabalho é considerada prioridade para a gestão petista e pode se tornar bandeira central na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) este ano.
Hugo Motta negociou diretamente com Lula os termos do texto levado à votação. O presidente da Câmara também antecipou o cronograma inicial, previsto para votação em plenário nesta quinta-feira, para evitar distorções no texto. Ministros do governo federal, como Luiz Marinho (Trabalho), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), acompanharam a sessão. Após a aprovação, os governadores cumpriram Motta na Mesa Diretora. Marinho informou à reportagem que buscaria um local mais reservado para comunicar Lula sobre o resultado.
Bate-boca e manobras
A sessão foi marcada por discussão entre oposicionistas e governistas, além de momentos de descontração, como quando Otoni de Paula (PSD-RJ) cantou “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, acompanhado pelos presentes. Aliados de Lula classificaram o dia como histórico e destacaram a contribuição da Câmara à sociedade e aos trabalhadores. Já os oposicionistas afirmaram que o avanço da medida tinha interesses eleitorais e criticaram o governo Lula.
Na tentativa de estranhar o governo, o PL anunciou, na véspera da votação, que defenderia um texto alternativo, propondo uma escala 4x3 (três dias de folga para o trabalhador). A buscava forçar governo e esquerda a estratégia se posicionassem contra uma proposta de maior alcance social.
Com uma manobra regimental, Motta sepultou uma proposta alternativa em votação simbólica, protegendo parlamentares de exposição pública. Mais cedo, na comissão especial, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi divulgado por militantes de movimentos sociais. No plenário, à noite, ele reclamou do que estas últimas pressas no rito regimental. Apesar disso, o PL orientou sua bancada a votar favoravelmente ao texto principal.
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