Finanças
Diálogo com Alcolumbre, força de Motta na Câmara e ministros de Lula no plenário: os bastidores da aprovação do fim da escala 6x1
Presidente da Câmara negociou diretamente com Lula os termos do texto aprovado em votação expressiva
A Câmara dos Deputados aprovou com ampla maioria a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à jornada 6x1, em um movimento que evidenciou a força do presidente da Casa, Arthur Motta (Republicanos-PB), e marcou mais um capítulo da disputa entre governo e oposição.
Fim da escala 6x1
Veja como votou cada deputado na comissão especial.
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O texto foi aprovado por 472 votos a favor e 22 contra no primeiro turno, e por 461 a 19 no segundo. Lideranças ouvidas pela reportagem avaliam que Motta sai fortalecido do processo, especialmente em um momento de críticas à Câmara por parte da sociedade civil. Por se tratar de uma pauta popular e de grande alcance, Motta empenhou-se para destravar a proposta, também de olho em ganhos eleitorais.
Segundo apuração da reportagem, Motta manteve diálogo frequente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Nos últimos dias, ambos conversaram ao menos três vezes. Alcolumbre tem dito, em conversas reservadas, que não pretende segurar nem acelerar a tramitação da matéria no Senado, mas o rito ainda não está definido.
O presidente do Senado deve procurar presidentes de comissões e líderes partidários nos próximos dias para discutir o tema. O calendário, porém, é considerado apertado para aprovar a PEC antes do recesso parlamentar, previsto para 18 de julho. Outro obstáculo apontado é o distanciamento entre Alcolumbre e Lula, em meio ao tensionamento entre o Senado e o Palácio do Planalto. Após a aprovação na Câmara, parlamentares reconhecem que isso aumenta a pressão sobre Alcolumbre para não criar obstáculos à tramitação no Senado.
A redução da jornada de trabalho é considerada prioritária para o governo Lula e pode se tornar uma bandeira para a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste ano.
Negociação direta e atuação do governo
Motta negociou diretamente com Lula os termos do texto levado à votação, antecipando o cronograma inicial para evitar distorções. A votação, prevista para quinta-feira, ocorreu na quarta. Ministros do governo federal acompanharam a sessão, entre eles Luiz Marinho (Trabalho), José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência). Assim que o texto foi aprovado, governistas subiram à Mesa para cumprimentar Motta. Marinho afirmou que buscaria um local mais reservado para comunicar o presidente Lula sobre o resultado.
A sessão foi marcada por discussões acaloradas entre oposição e governo, além de momentos de descontração, como quando Otoni de Paula (PSD-RJ) cantou “Para Não Dizer que Não Falei das Flores”, de Geraldo Vandré, acompanhado pelos presentes. Aliados de Lula classificaram o dia como histórico, destacando a contribuição da Câmara à sociedade e aos trabalhadores. Já oposicionistas alegaram que a medida avançou por interesses eleitorais e criticaram o governo.
Manobras e estratégias na votação
Na véspera, o PL anunciou que defenderia um texto alternativo, propondo a escala 4x3 (três dias de folga), numa tentativa de constranger o governo e a esquerda a votarem contra uma proposta de maior alcance aos trabalhadores. Em uma manobra regimental, Motta rejeitou a proposta em votação simbólica, blindando os parlamentares de expor seus votos. Mais cedo, na comissão especial, o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), foi vaiado por militantes de movimentos sociais. No plenário, à noite, ele criticou o rito adotado por Motta, mas, na hora da votação, o PL orientou a bancada a votar favoravelmente ao texto.
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