Finanças
Alcolumbre indica que PEC do fim da escala 6x1 passará por comissões, mas votação deve ocorrer antes da eleição
Senadores criticam tramitação acelerada na Câmara, mas reconhecem que Senado deve assumir desgaste de barrar medida
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6x1 não será votada automaticamente em plenário. O texto deverá passar por, ao menos, uma comissão e será alvo de audiências públicas antes de qualquer deliberação. Apesar disso, aliados do senador avaliam que a PEC não ficará travada e deverá ser apreciada antes das eleições.
Jornada de 40 horas, transição de um ano e dois dias de folga
A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados na noite desta quarta-feira, após passar por uma comissão especial no mesmo dia. Parte dos senadores considera que a tramitação na Câmara foi acelerada, deixando pouco tempo para análise no Senado.
Apesar das críticas, o entorno de Alcolumbre descarta barrar a votação. O receio é de desgaste político caso o Senado adie a aprovação da PEC antes das eleições, o que poderia gerar campanhas populares contrárias a parlamentares que buscam a reeleição.
Tramitação no Senado
O caminho da PEC no Senado ainda não está definido. Entre as alternativas avaliadas está a criação de uma comissão especial, similar à que funcionou na Câmara. Outra possibilidade, considerada mais provável, é encaminhar o texto para análise das comissões permanentes, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, possivelmente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que Alcolumbre não pretende segurar a tramitação da PEC. Segundo Alencar, assim que a proposta chegar ao Senado, será pautada na CCJ, que deverá promover audiências públicas para discutir o tema.
— Davi não vai segurar. Vai seguir o curso normal — garantiu o senador Otto Alencar.
Alencar declarou ser "totalmente a favor" da proposta e lembrou de uma PEC aprovada na CCJ em dezembro de 2025, que previa redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem período de carência. Segundo ele, a proposta foi aprovada simbolicamente e só faltou ser pautada no plenário pelo presidente do Senado.
— Vejo que há maioria no Senado para aprovar essa PEC. Essa é uma pauta da classe trabalhadora — destacou Alencar.
Impacto político
A mudança na escala de trabalho é considerada uma das principais apostas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fortalecer sua popularidade na campanha pela reeleição. O texto da PEC foi negociado entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Lula.
A proposta prevê dois dias de folga por semana ainda neste ano e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas no prazo de 14 meses.
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