Finanças
Sessão tensa aprova fim da escala 6x1 em comissão após seis horas de debates
Proposta segue agora para análise no plenário da Câmara dos Deputados
Deputados aprovaram o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6x1 em reunião da comissão especial dedicada ao tema. A sessão, que durou cerca de seis horas, foi marcada por discussões acaloradas, vaias direcionadas a parlamentares da oposição e a presença maciça de manifestantes no plenário.
Pontos de tensão marcaram a votação
Desde o início, a sessão evidenciou a polarização entre governo e oposição. Diversos representantes de movimentos sindicais e trabalhadores compareceram à Câmara, enquanto deputados governistas, como o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), vestiram camisetas em apoio ao fim da escala 6x1.
Parlamentares da base do governo criticaram abertamente membros da oposição, que declararam apoio à proposta da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que sugere a redução para uma escala 4x3. Governistas alegaram que a estratégia visava inviabilizar a aprovação da PEC negociada com o presidente da Câmara.
Debate sobre alternativas à escala 6x1
“O que eles estão fazendo é tentar enterrar toda a proposta. E enterrar esse texto agora seria um prejuízo gigante. Eles não querem nem 4 por 3 e nem 5 por 2, querem manter o 6 por 1 e estão fazendo uma manobra desonesta”, afirmou Erika Hilton.
Já a deputada Julia Zanatta (PL-SC) afirmou que o apoio anunciado pelo líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) buscava reforçar a proposta alternativa em meio à pressão popular. “Vamos ver agora como quem propôs de fato essa proposta vai se posicionar no plenário. É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador e se o custo da mão de obra não vai recair sobre o povo”, ressaltou.
Clima acirrado e embates diretos
O clima ficou ainda mais tenso durante a votação, iniciada às 16h, com os partidos orientando seus votos. Erika Hilton acusou a oposição de apoiar uma emenda que estendia o período de transição para dez anos.
O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), pediu direito de resposta e rebateu: “Vou desmentir essa mentirosa que acabou de falar. Ela mentiu, não vai cortar minha palavra, eu vou provar que ela está mentindo (...) Quem assinou esta emenda foi o PP do Rio Grande do Sul e a deputada aqui sabe muito bem quem foi. Então não minta ao povo brasileiro, nós do PL somos a favor do trabalhador”, declarou, sob vaias e gritos de “mentiroso”.
Propostas rejeitadas e comemoração
Apesar dos desentendimentos, Sóstenes Cavalcante encaminhou voto favorável ao mérito do relatório, mas anunciou que apresentaria destaque de preferência para priorizar a PEC da deputada Erika Hilton, que propõe jornada de 36 horas sem prazo de transição. O destaque, porém, foi rejeitado.
Após a rejeição dos cinco destaques apresentados, Cavalcante deixou rapidamente a comissão, sendo vaiado por manifestantes favoráveis à redução da jornada. Ele reafirmou que a oposição tentará aprovar o destaque de preferência no plenário para a escala 4x3.
Na comissão, parlamentares do governo comemoraram a aprovação ao lado de representantes sindicais, que exibiam cartazes em defesa da redução da jornada. Os deputados ainda posaram para fotos com os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais), presentes na sessão para acompanhar a votação.
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