Finanças

Comissão da Câmara aprova proposta que estabelece o fim da escala 6x1

Presidente da Câmara sinalizou a governistas que PEC pode ser votada no plenário ainda nesta quarta

Agência O Globo - 27/05/2026
Comissão da Câmara aprova proposta que estabelece o fim da escala 6x1
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A comissão especial que trata do aprovado, na tarde desta quarta-feira, o texto-base da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a redução da jornada de trabalho. Foram 34 votos a favor e 4 contrários. O projeto concede a todos os trabalhadores dois dias de folga semanais, sendo um deles preferencialmente aos domingos.

Fim da escala 6x1:

Fim da escala 6x1:

O colegiado ainda irá analisar um destaque (sugestão de mudança) antes do projeto a seguir para o plenário. O PL apresentou uma emenda para a PEC começar a valer imediatamente após ser aprovada, e não em 60 dias.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), encaminhou a favor do mérito do relatório, alegando que apresentará uma preferência de preferência durante a votação da PEC no plenário para que passar na frente a PEC sugerida da deputada Erika Hilton (Psol-SP), para reduzir a jornada para 36 horas, sem prazo de transição.

— O PL vota a favor do mérito do relatório na comissão, mas estaremos ao lado do trabalhador no plenário, pela escala 4x3 (proposta da deputada Érika) — disse Sostenes, tendo sido vaiado por governantes e chamado de "hipócrita".

Votação em plenário

A PEC entrou para pauta prevista para reunião de hoje no plenário da Câmara, convocada para começar às 15h. Governistas receberam sinalização do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que a proposta pode ser votada ainda hoje. Será necessário o voto de pelo menos 308 dos 513 deputados. A votação será em dois turnos.

O presidente da Câmara pretende repassar o projeto ao Senado ainda nesta quarta. Motta se irritou com o movimento de deputados da oposição, que declararam que deveriam apresentar requerimento de urgência para a proposta da deputada Erika Hilton, que reduz a jornada para uma escala 4x3.

acordo

A proposta foi apresentada na segunda-feira, após um acordo fechado entre o presidente Lula e o presidente da Câmara. A proposta prevê uma redução de 44 horas para 40 horas semanais de trabalho numa transição de um ano. Os dois dias de folga por semana passarão a valer 60 dias após a promulgação, ou seja, quando entrarem em vigor após serem aprovados no Congresso. Salários acima de R$ 21,1 mil não terão limite de jornada.

Fim da escala 6x1:

Pelo texto, 60 dias após a promulgação do texto, quando ele for aprovado na Câmara e no Senado (próxima etapa de tramitação), haverá uma redução imediata de duas horas e, em até 12 meses, mais duas horas serão reduzidas da jornada.

A PEC estabelece o fim da escala 6x1 e garante dois dias de folga semanais a todos os trabalhadores mediante redução da jornada máxima de 44 para 40 horas, com manutenção do salário atual. Como dois intervalos semanais, que não precisarão ser consecutivos, serão aplicados já este ano.

Como foi a sessão

Os parlamentares da comissão especial analisaram nesta quarta o relatório do deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA). Durante a reunião, o relator declarou que não deve acolher emendas apresentadas, e que pretende preservar o texto já apresentado.

Na abertura da sessão, o presidente da comissão, Alencar Santana (PT-SP), rebateu críticas de que a proposta não foi discutida o suficiente para sua aprovação.

Domingo, feriado, regimes especiais...

— Foram realizadas audiências públicas todas as semanas, todos os dias de segunda a quarta e teve dia com audiência à tarde. Foram realizadas audiências em sete estados de todas as regiões do país, com a participação de quase quatro mil pessoas, de setores patronais e dos trabalhadores, de movimentos populares — afirmou.

Primeiro em conversa na reunião desta quarta, o deputado federal Gilson Marques (Novo-SC) criticou o projeto e afirmou que a medida vai exigir a contratação de mais funcionários pelas empresas.

— Se vai ter que contratar mais uma pessoa, vai ter que subir o preço do remédio, do pão, e aí as pessoas que vão comprar são justamente os trabalhadores que juram que serão beneficiados por essa proposta maluca — disse.

Reação:

Desde a abertura, a sessão foi marcada pela polarização do posicionamento entre a oposição e o governo. Com a forte presença de representantes de movimentos sindicais e trabalhadores na Câmara e na reunião, deputados do governo, inclusive o presidente, vestem camisetas a favor do fim da escala.

Nesta terça-feira, deputados de oposição declararam que apoiariam o projeto de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que amplia a redução para uma escala 4x3. Parlamentares da base do governo alegaram que o movimento acontece para inviabilizar a aprovação da PEC que foi negociada com o presidente da Câmara, Hugo Motta.

— O que eles estão fazendo é tentar enterrar toda a proposta. E digitar esse texto agora seria um prejuízo gigante. Eles não querem nem 4 por 3 e nem 5 por 2, querem continuar a 6 por 1 e estão fazendo uma manobra desonesta — afirmou a deputada Erika Hilton.

A deputada de oposição Julia Zanatta (PL-SC) disse que o apoio anunciado ontem pelo líder Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) tem o objetivo de dobrar a aposta da proposta reforçada pelo governo em meio à pressão popular pela medida.

— Ontem o meu líder fez uma declaração de que o PL vai aderir à luta do 4x3 — disse a parlamentar que foi ironicamente aplaudida e vaiada por manifestantes na reunião — Vamos ver agora como quem propôs de fato essa proposta vai se posicionar no plenário da Câmara. É óbvio que estamos preocupados com a qualidade de vida do trabalhador, óbvio que a gente está preocupada se esse custo da mão de obra não vai recair no povo — completou.

Da base do governo, a deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) lembrou que deputados de centro e direita apresentaram no início de maio uma PEC que permitiria uma jornada de 52 horas e anterior dez anos de transição para a mudança.

— Não adianta o PL dizer que é a favor agora, porque há registos históricos que pretendem adiar por 10 anos a transição, colocar 52 horas a jornada de trabalho, de fazer mais uma reforma trabalhista, mas foi a pressão do povo que venceu aqui — rebateu a parlamentar.

Veja-se também do texto

O que diz a regra geral

A duração do trabalho normal não pode ser superior a 8 diárias e 40 horas semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. Hoje, o limite máximo é de 44 horas semanais, seis dias por semana

Haverá dois dias de descanso semanal remunerado, um dos quais preferencialmente aos domingos. Hoje é obrigatório um dia de descanso.

Excepcionalmente, convencionado ou acordo coletivo de trabalho poderá, inclusive para os trabalhadores sujeitos a regimes diferenciados de trabalho estabelecidos em lei ou norma regulamentadora, estabelecendo regime compensatório que assegure, em média, dois dias de folga remunerados semanalmente dentro de um mês, garantido o usufruto de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho.

Uma nova lei vai dispor sobre hipóteses e condições em que a duração do trabalho e os dias de segurança semanalmente remunerados poderão observar regimes diferenciados, respeitados os limites previstos no PEC.

Não haverá redução de atrasos e nem de pisos salariais.

O que diz a regra de transição

A PEC entra em vigor 60 dias após ser aprovada na Câmara e no Senado. A redução da duração do trabalho normal para 40 horas semanais será renovada de forma progressiva:

60 dias após a publicação da PEC, a duração do trabalho normal não ultrapassará 42 horas semanais;

12 meses depois desses 60 dias, a duração do trabalho normal não excederá a 40 horas semanais.

No prazo de 60 dias após a aprovação da PEC, convenção ou acordo coletivo de trabalho poderá ampliar a duração diária do trabalho normal para viabilizar a distribuição da duração semanal do trabalho. Ou seja, absorver as horas que estão sobrando na jornada diária.

Diferença para quem ganha mais de R$ 21.188 por mês

Pelo texto, ao empregado com diploma de nível superior e que recebe pagamentos mensais iguais ou superiores a 2,5 vezes o teto do INSS (hoje, o equivalente a R$ 21.188 por mês), não se aplica às regras relativas à duração do trabalho e ao controle da jornada. Isso poderá ser alterado pela liberalidade do empregador ou se houver previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho.

Isso não se aplica aos funcionários públicos da administração direta e indireta de quaisquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

Compete à Justiça do Trabalho, processar e julgar as ações relativas ao tema.

Regra para quem já trabalha menos de 40 horas

A aprovação da PEC não implicará redução proporcional das jornadas de trabalho já introduzidas em patamar igual ou inferior a 40 horas semanais.

Mitigação de impactos

Uma nova lei poderá estabelecer medidas transitórias, condicionadas à manutenção dos níveis de emprego, para mitigar os impactos da redução da jornada para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte.

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