Finanças

Mais de 574 mil brasileiros já usaram plataforma de autoexclusão de bets; 41% relatam impacto na saúde mental

Ferramenta lançada pelo governo também orienta usuários a buscar assistência no SUS

Agência O Globo - 27/05/2026
Mais de 574 mil brasileiros já usaram plataforma de autoexclusão de bets; 41% relatam impacto na saúde mental
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Plataforma Centralizada de Autoexclusão , criada para desbloquear simultaneamente o acesso a todas as casas de apostas autorizadas no Brasil, já foi utilizada por mais de 574 mil pessoas desde seu lançamento em dezembro de 2025 pelo governo federal. Por meio da ferramenta, o próprio usuário solicita o bloqueio do CPF nas plataformas de apostas. Entre as operadoras, 207 mil (41%) justificaram a decisão devido à perda de controle sobre o jogo e aos impactos negativos na saúde mental.

Além de bloquear todas as contas vinculadas ao CPF do usuário, a autoexclusão impede novos cadastros e suspende o envio de publicidade personalizada sobre apostas. A plataforma ainda orienta e direciona a busca por assistência no Sistema Único de Saúde (SUS) , com informações sobre onde encontrar atendimento especializado.

— A integra uma iniciativa uma estratégia mais ampla de prevenção, cuidado e redução de danos, além de fortalecer a oferta de acolhimento e atenção em saúde mental no SUS — destaca o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Outros motivos para autoexclusão

Entre os demais motivos informados para a autoexclusão estão:

18% — prevenir o uso indevido dos dados nas plataformas;

14% — preferiram não informar o motivo da exclusão;

13% — decisão tomada de forma voluntária, sem detalhamento;

12% — dificuldades financeiras como razão principal para o bloqueio.

Prazo de exclusão

No momento da solicitação, os usuários podem escolher por quanto tempo desejam permanecer afastados das casas de apostas. Até agora, 69% optaram por tempo indeterminado, enquanto 31% selecionaram um prazo específico — sendo um ano o mais escolhido.

Pesquisa nacional sobre apostas

Na última terça-feira (26), o Ministério da Saúde assinou um Termo de Execução Descentralizada (TED) que prevê o repasse de R$ 6 milhões para a realização da primeira pesquisa nacional sobre apostas e saúde mental no âmbito do SUS. O estudo, a ser contínuo pela Universidade Federal de São Paulo, permitirá mensurar e analisar os impactos das apostas no cotidiano da população brasileira. A previsão é que o levantamento tenha início ainda em 2026.

Onde buscar ajuda

Para quem deseja refletir sobre sua relação com jogos e apostas, o Ministério da Saúde disponibiliza um instrumento de autoavaliação. A ferramenta não faz diagnóstico, mas apresenta perguntas simples que ajudam a identificar sinais de alerta, como alertas ou inquietação ao tentar reduzir ou interromper o jogo. Conforme a classificação, o usuário recebe orientações sobre quando e onde buscar apoio na rede pública de saúde.

O cuidado em saúde mental é realizado de forma integrada na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) , composta por Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), presentes em todas as regiões do país. Pessoas que identificam prejuízos relacionados às apostas podem buscar atendimento nessas unidades, que funcionam em modelo de portas abertas.

Canais como o Disque Saúde 136 e a Ouvidoria do SUS também estão disponíveis para orientar a população, ampliar o acesso ao acolhimento e fortalecer a continuidade do cuidado. Neste ano, o SUS passou a oferecer, pela primeira vez, serviço de teleatendimento em saúde mental voltado para casos relacionados a jogos e apostas, com investimento de R$ 2,5 milhões. A iniciativa, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, tem capacidade para atender até 650 pacientes por mês.