Finanças

Prévia da inflação desacelera, mas IPCA-15 tem maior alta para maio em dez anos

Conta de luz e carnes puxam indicador para 0,62%, acima das expectativas do mercado. Em 12 meses, índice supera meta oficial.

Agência O Globo - 27/05/2026
Prévia da inflação desacelera, mas IPCA-15 tem maior alta para maio em dez anos
IPCA - Foto: Reprodução

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,62% em maio, após avanço de 0,89% em abril. Apesar da desaceleração, este é o maior resultado para o mês desde 2016, quando o índice subiu 0,86%. O dado, divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (29), ficou acima da expectativa do mercado, cuja mediana apontava para 0,57%, segundo levantamento do Valor Data.

No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 soma alta de 4,64%, superando os 4,37% registrados até abril e ultrapassando o teto da meta de inflação do Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. No ano, o índice já acumula elevação de 3,02%. Em maio do ano passado, o avanço havia sido de 0,36%.

O principal impacto individual no mês veio da energia elétrica, que subiu 2,16%, seguida pelas carnes, com aumento de 1,98%. Produtos de higiene pessoal (1,60%) e leite longa vida (6,07%) também pressionaram o índice.

A partir de maio, entrou em vigor a bandeira tarifária amarela, que acrescenta cobrança extra de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos, justificando o reajuste na conta de luz.

No grupo alimentação no domicílio, houve leve desaceleração, passando de 1,77% em abril para 1,73% em maio, mas ainda foi um dos principais responsáveis pela alta do índice. Destacam-se os aumentos da batata-inglesa (26,29%) e do tomate (12,97%). Por outro lado, maçã (-2,32%) e café moído (-2,09%) registraram queda de preços.

O grupo transportes trouxe alívio ao índice, com recuo de 0,33% em maio. Os combustíveis, que haviam subido 6,06% em abril, caíram 1,47% neste mês. A gasolina teve queda de 1,32%, o etanol recuou 2,73% e o óleo diesel, 2,04%. Já o gás veicular subiu 2,12%, enquanto as passagens aéreas voltaram a subir 3,25%, após queda de 14,32% em abril.