Finanças
Comissão do Senado aprova convocação do presidente do BRB para explicar operações com Banco Master
Nelson Antônio de Souza havia prometido comparecer ao Senado após divulgação dos balanços do BRB, o que ainda não ocorreu
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou, nesta terça-feira, a convocação do presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, para prestar esclarecimentos sobre as operações realizadas com o Banco Master e os impactos dessas transações na saúde financeira da instituição.
Durante a sessão, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que Nelson de Souza havia comunicado a intenção de comparecer ao colegiado somente após a publicação dos balanços financeiros do BRB.
Os documentos deveriam ter sido divulgados ao mercado até 31 de março, mas, até o momento, o banco estatal não publicou as demonstrações financeiras referentes a 2025.
“Ora, desde janeiro o BRB não publica balanço; então, nessa lógica, ele não vem nunca depor na comissão”, criticou Renan Calheiros.
O pedido de convocação foi apresentado em abril pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF). Segundo Calheiros, a convocação é para a sessão da CAE marcada para 2 de junho, próxima terça-feira.
Nelson de Souza assumiu a presidência do BRB em novembro de 2025, em substituição a Paulo Henrique Costa, afastado do cargo por decisão judicial. Paulo Henrique foi preso pela Polícia Federal (PF) em abril deste ano.
Em petição enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, o governo do Distrito Federal alertou para o risco efetivo de “abalo ao sistema financeiro” caso não consiga acessar uma operação de crédito destinada a salvar o BRB, que precisa cobrir o déficit causado pelas operações com o Banco Master.
No documento, o governo de Celina Leão (PP) questiona a metodologia do Tesouro Nacional que negou o aval da União ao empréstimo e argumenta que os indicadores fiscais mais recentes apontam melhora na situação do DF.
“A inviabilização tempestiva da operação de crédito destinada ao aporte prudencial possui potencial concreto de desencadear deterioração da percepção de solvência da instituição financeira, com repercussões diretas sobre sua capacidade operacional, sua liquidez e sua atuação no mercado de crédito local e nacional, produzindo risco efetivo de abalo ao sistema financeiro do País”, diz o texto do governo do DF.
No fim de março, o BRB divulgou fato relevante ao mercado informando que a publicação das demonstrações financeiras foi adiada “em razão da necessidade de conclusão” das investigações das autoridades e da “adequada avaliação, pela administração da companhia e pelo auditor independente, de seus potenciais impactos”.
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