Finanças
Governo do DF arrecada R$ 1 bilhão para socorrer BRB, mas ainda busca empréstimo para cobrir rombo do Master
Como controlador do banco, o governo do Distrito Federal transfere recursos para reforçar o BRB, mas empréstimo bilionário ainda é necessário.
O governo do Distrito Federal arrecadou R$ 1 bilhão com a venda de cotas de securitização da dívida ativa ao BTG Pactual. O objetivo é reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB), que registrou prejuízos significativos após operações com o Banco Master.
Como controlador do BRB, o governo do DF direcionará o montante diretamente ao banco público.
No processo de securitização, créditos de tributos não pagos ao DF são vendidos a investidores, que assumem o risco e os valores a receber.
Apesar do reforço, o BRB ainda necessita de recursos adicionais. O governo do DF negocia um empréstimo de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e bancos privados para solucionar o déficit.
Na próxima sexta-feira, encerra-se o prazo dado por BRB e governo ao Banco Central (BC) para apresentar uma solução que cubra o rombo causado pela compra de carteiras de crédito do Master e permita a publicação do balanço consolidado de 2025. A expectativa, porém, é de prorrogação do prazo para viabilizar todas as medidas necessárias.
Fontes próximas ao processo afirmam que 70% do plano apresentado ao BC já foi cumprido.
Segundo o governo, a falta de liquidez, que poderia motivar intervenção do BC, foi solucionada com a venda dos ativos do Master ao grupo de investidores Quadra Capital, que já aportou R$ 1 bilhão, com previsão de mais R$ 3 bilhões até o fim do mês.
Para restabelecer o capital e manter o BRB dentro das regras de prudência, é necessário levantar R$ 8,8 bilhões. A direção do banco intensifica negociações para fechar o empréstimo ainda nesta semana.
Sem aval da União, BRB e governo buscam aprimorar as garantias oferecidas, incluindo ativos do Credcesta sob administração do liquidante do Master, terrenos cedidos pelo governo e a própria dívida ativa.
A crise foi provocada pela compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do Master no valor de R$ 12,2 bilhões, suspeitas de fraude. A operação foi desfeita, mas o BRB não recebeu o valor em dinheiro, e sim em outros ativos do banco de Daniel Vorcaro, cuja qualidade é questionada. O prejuízo estimado chega a R$ 8 bilhões.
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