Finanças

Durigan critica resposta europeia ao tarifaço de Trump e destaca postura brasileira

Segundo o ministro da Fazenda, a reação do governo brasileiro foi muito diferente

Agência O Globo - 23/05/2026
Durigan critica resposta europeia ao tarifaço de Trump e destaca postura brasileira
Dario Durigan - Foto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, avaliou como "abrupta" a resposta da Europa às tarifas impostas pelos Estados Unidos, ressaltando que a postura brasileira foi distinta.

Em entrevista ao jornal francês Le Grand Continent, Durigan afirmou que a reação dos países europeus ao tarifaço implementado pelo então presidente Donald Trump pode ter dificultado as negociações com o governo americano.

— Talvez a diferença entre o Brasil e a Europa seja que demonstramos paciência em nossa resposta a Trump. Embora tenhamos contestado a decisão de impor tarifas, não retaliamos; pelo contrário, nos posicionamos politicamente como uma nação soberana que não merecia tal tratamento. A resposta europeia foi, sem dúvida, muito abrupta: tentar chegar a um acordo rápido com os Estados Unidos pode ter agravado a situação — declarou o ministro.

As tarifas americanas sobre produtos brasileiros passaram a valer em 6 de agosto. As negociações oficiais sobre o tema foram abertas em 6 de outubro, após conversa telefônica entre os líderes dos dois países, ocorrida depois de encontro durante a Assembleia da ONU.

Em novembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a redução das tarifas sobre alguns dos principais produtos brasileiros exportados para o país. Inicialmente, em abril, as sobretaxas americanas afetaram 37% dos produtos brasileiros vendidos aos EUA. Em fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou as sobretaxas, restando apenas uma tarifa global de 10% para todos os países.

— Em relação às tarifas, o Brasil não retaliou contra os Estados Unidos. Simplesmente mantivemos nossas posições firmes, rejeitando qualquer tipo de interferência. Em determinado momento, nosso país enfrentava tarifas de 50%: um imposto de 10% aplicado globalmente, mais 40% adicionais — acrescentou Durigan.