Finanças
Próximo presidente encontrará país 'arrumadinho', afirma André Esteves
Presidente do conselho do BTG Pactual diz que sinalizar disciplina fiscal pode reduzir juros para 7% ou 8%
O presidente do conselho de administração do BTG Pactual, André Esteves, afirmou neste sábado (23), durante painel no Fórum Esfera, que o próximo presidente do Brasil encontrará um país "arrumadinho" e "fácil de resolver". O evento também contou com a presença de Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e Bruno Dantas, ministro do Tribunal de Contas da União.
— Quem quer que seja eleito em janeiro vai pegar um país arrumadinho, fácil de resolver. E eu acho que a gente precisa fazer uma última milha. Não é de corte de gastos, fim de programas sociais, não precisa de nada disso. Tem três, quatro medidas simples de contenção do crescimento de gasto — declarou Esteves.
Para fundamentar sua avaliação, Esteves comparou o atual cenário econômico com os inícios dos governos de Fernando Henrique Cardoso (1994) e de Luiz Inácio Lula da Silva (2002), quando, segundo ele, o Brasil vivia situações de "terra arrasada", marcadas por hiperinflação, alto desemprego, falta de reservas cambiais e crises bancárias.
Segundo o banqueiro, bastariam três ou quatro medidas "simples" de contenção do crescimento dos gastos públicos para sinalizar disciplina fiscal e, assim, permitir a redução dos juros para patamares entre 7% e 8%. Ele também destacou outras preocupações para o próximo ciclo presidencial.
— A economia está moleza de resolver. Agora, essa guerra do Brasil institucional com o Brasil não institucional, essa a gente não pode perder aqui.
Esteves referiu-se ao avanço do crime organizado, milícias e setores informais da economia que escapam ao controle do Estado.
Banco Master
Sobre o caso Banco Master, Esteves reiterou que não houve falha por parte do BTG Pactual. Questionado sobre possíveis erros nos sistemas de controle do banco ou na avaliação de determinados ativos, ele respondeu: "Óbvio que não tem erro nenhum no BTG".
— Quando a gente achou que as coisas estavam saindo do controle, procuramos nos posicionar — limitou-se a dizer, sem entrar em detalhes.
Aloizio Mercadante, por sua vez, atribuiu responsabilidade direta à gestão anterior do Banco Central, destacando "omissão e conivência". Segundo ele, a administração de Ilan Goldfajn não havia autorizado a aquisição pelo Banco Master nem a entrada de Daniel Vorcaro como banqueiro relevante, mas tais fatos acabaram ocorrendo posteriormente.
O presidente do BNDES também defendeu a necessidade de reestruturação tanto da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) quanto do Banco Central.
— Primeiro, tem que pagar bem servidor público, tem que ter carreira, tem que ser valorizado. Eu proponho uma coisa simples: pega a carreira do BNDES e põe no Banco Central e na CVM. Quero ver se essas coisas acontecem. Não acontece. Você dá autonomia, dá poder e tem que empoderar o Banco Central e a CVM.
Mercadante argumentou que tal valorização é fundamental, pois os fundos de investimento podem ser o próximo desafio a surgir no sistema financeiro. Para ele, o caso Reag seria apenas a “ponta do iceberg”.
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