Finanças
Governo amplia bloqueio no Orçamento para R$ 23,7 bilhões após alta de despesas obrigatórias
Avanço dos gastos com BPC e Previdência pressiona contas públicas e leva equipe econômica a ampliar contenção de recursos
Os ministérios da Fazenda e do Planejamento anunciaram nesta sexta-feira a ampliação do bloqueio de despesas do Orçamento federal, que passou de R$ 1,6 bilhão para R$ 23,7 bilhões. A medida foi motivada principalmente pelo aumento das projeções de gastos obrigatórios, sobretudo com o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Previdência Social. Segundo o governo, apenas as despesas estimadas com o BPC cresceram R$ 14,1 bilhões.
Veja como fazer:
Imposto de Renda 2026:
Além disso, houve um aumento em R$ 11 bilhões na previsão de gastos com a Previdência Social. Para este ano, o gasto projetado com a Previdência é de R$ 1.122 trilhão. Mas já no primeiro relatório bimestral de acompanhamento de receitas e despesas, a equipe econômica teve que elevar a estimativa em R$ 1 bilhão (leia mais abaixo).
Houve uma queda, ainda, de R$ 3,4 bilhões nos gastos com pessoal e encargos sociais.
Os dados fazem parte do relatório bimestral de avaliação do comportamento de receitas e despesas, usado para monitorar as contas públicas e o cumprimento das regras fiscais. Uma das ferramentas utilizadas é o bloqueio de recursos, que ocorre quando as estimativas de despesas superam o valor previsto para o limite de gastos. Para trazer de volta ao limite, reduz-se as chamadas despesas discricionárias, como os investimentos do governo.
Já o contingenciamento acontece quando há insuficiência de receitas para cumprimento da meta de resultado primário. Em 2026, a meta é de superávit de 0,25% do PIB, ou R$ 34,3 bilhões, mas a banda de tolerância vai até zero.
Não houve necessidade de contingenciamento, porque as receitas estão em alta graças à arrecadação com petróleo, que ascendeu com a guerra no Oriente Médio.
Segundo a Receita Federal, houve um aumento de 264% na arrecadação obtida com a exploração de petróleo e gás natural no primeiro quadrimestre, saltando de R$ 11 bilhões no ano passado, para R$ 40,2 bilhões. Conforme o colunista do GLOBO Fabio Graner, o governo estima que a disparada do petróleo deverá gerar uma receita extra de R$ 40 bilhões no cenário mais conservador.
O crescimento dessas receitas ajudou a contribuir para a arrecadação federal nos quatro primeiros meses do ano, que alcançou R$ 735 bilhões, resultado recorde para este período na série histórica da Receita iniciada em 1995.
O governo projeta que o ano irá fechar com um déficit de R$ 60,3 bilhões. Desse total, R$ 64,4 bilhões são descontados da meta, para o pagamento de precatórios e outros gastos. Por isso, no fim, calculamos um resultado positivo de R$ 4,1 bilhões.
Previdência vocacionada
Para especialistas, isso ocorre porque as despesas foram subestimadas, o que leva ao descasamento nas contas do regime geral de aposentadoria e força cortes orçamentários, prejudicando áreas essenciais e investimentos. Além disso, a variação não considera o impacto da redução da fila do INSS.
Segundo estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, a despesa com benefícios previdenciários e assistenciais, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) deve ficar acima do projetado para 2026 em R$ 18 bilhões, o que pode exigir novos cortes para garantir o cumprimento das metas fiscais.
— O orçamento do BPC foi com uma estimativa muito otimista, diante do resultado da revisão que está sendo realizada. Além disso, nem a despesa estimada para o BPC, nem a dos demais benefícios previdenciários estavam contando com o custo adequado da redução da fila que implica no pagamento de atrasos — afirmou o consultor Leonardo Rolim.
Para acelerar a redução da fila do INSS, que atingiu 3,1 milhões de requisitos em fevereiro, o governo vem ampliando o uso de mecanismos, como atestados digitais na concessão de benefícios. Com isso, a fila baixou para 2,7 milhões em março; 2,5 em abril e 2,3 milhões em maio, dados parciais de maio. A meta do Ministério da Previdência é zerar a fila, deixando os novos pedidos, um montante de 700 mil todo mês.
Segundo levantamento do especialista Rogério Nagamine, com base em dados oficiais, entre 2023 e 2025, a diferença entre a despesa projetada e o valor realizado desembolsado alcançou R$ 75,6 bilhões.
— Nos anos de 2023 a 2026 houve, de forma sistemática, subestimativa da despesa do RGPS (Regime Geral da Previdência Social). Na comparação do previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual) com o gasto efetivo, se acumulou uma estimativa de cerca de R$ 75 bilhões nos anos de 2023 a 2025 e deve ocorrer novamente em 2026 — Nagamine destacado.
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