Finanças
Redução da fila do INSS e previsões subestimadas elevam gastos da Previdência
Governo vai elevar previsão de gastos com benefícios previdenciários em R$ 11 bilhões
O governo federal vai aumentar em R$ 11 bilhões a previsão de gastos com a Previdência Social, segundo relatório que será divulgado nesta sexta-feira. Essa atualização atualiza um aumento no bloqueio de despesas do governo.
Para 2024, o gasto projetado com a Previdência é de R$ 1.122 trilhão . No entanto, já no primeiro relatório bimestral de acompanhamento de receitas e despesas, a equipe econômica precisou elevar a estimativa em R$ 1 bilhão.
Os especialistas apontam que as despesas foram subestimadas, o que provocou um abandono nas contas do regime geral de aposentadoria e obrigações de cortes orçamentários, priorizando áreas essenciais e investimentos. Além disso, as especificidades não consideraram o impacto da redução da fila do INSS.
Segundo estudo da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara dos Deputados, a despesa com benefícios previdenciários e assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), deverá superar o projetado para 2026 em R$ 18 bilhões, podendo exigir novos cortes para garantir o cumprimento das metas fiscais.
"O orçamento do BPC estava com uma estimativa muito otimista, diante do resultado da revisão que está sendo realizada. Além disso, nem a despesa estimada para o BPC, nem a dos demais benefícios previdenciários consideraram o custo adequado da redução da fila, que implica no pagamento de atrasos", explicou o consultor Leonardo Rolim.
Para acelerar a redução da fila do INSS, que chegou a 3,1 milhões de requisitos em fevereiro, o governo tem ampliado o uso de mecanismos digitais, como atestados eletrônicos na concessão de benefícios. Com isso, a fila caiu para 2,7 milhões em março, 2,5 milhões em abril e 2,3 milhões em maio, de acordo com dados parciais. A meta do Ministério da Previdência é zerar a fila, mantendo apenas os novos pedidos, que chegam a 700 mil por mês.
De acordo com levantamento do especialista Rogério Nagamine, com base em dados oficiais, entre 2023 e 2025, a diferença entre a despesa projetada e o valor realizado desembolsado alcançou R$ 75,6 bilhões.
"Nos anos de 2023 a 2026 houve, de forma sistemática, subestimativa da despesa do RGPS (Regime Geral da Previdência Social). Na comparação do previsto na LOA (Lei Orçamentária Anual) com o gasto efetivo, acumulou-se uma diferença de cerca de R$ 75 bilhões entre 2023 e 2025, e a tendência é que se repita em 2026", destacou Nagamine.
Para os especialistas, o principal problema não é o envelhecimento acelerado da população brasileira, que tende a pressionar os gastos públicos, mas sim a subestimação das despesas.
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