Finanças
Mitos e fatos da educação digital: Festival LED debate a importância da formação para lidar com novas tecnologias
Mesa contou com Débora Garofalo, professora, consultora em educação e vencedora do Prêmio Faz Diferença 2025
A tecnologia vai substituir a educação formal? Esse foi um dos questionamentos centrais da mesa “Mitos & fatos da educação digital: o que significa educar no mundo conectado?”, realizado no Festival LED. O debate buscou desmistificar os populares que surgiram com o avanço avançado das tecnologias, reafirmando o papel fundamental da escola e dos professores, mesmo em uma era em que a informação está a um clique de distância.
Débora Garofalo, professora, consultora em educação e vencedora do Prêmio Faz Diferença 2025 na categoria Educação, destacou a necessidade de preparar os jovens para filtrar criticamente o conteúdo recebido diariamente pela internet.
— A pergunta que devemos fazer não é como educar nesse mundo digital, mas como formar esses jovens de maneira crítica, ética e responsável para lidar com o volume de informações — afirmou.
Garofalo também apontou lacunas na formação inicial e continuada dos professores, ressaltando a importância de prepará-los para o uso da tecnologia:
— O primeiro passo é formar nossos professores desde a universidade, com metodologias inovadoras e educação prática. Mais para isso, é fundamental que vivamos os desafios reais da educação e tenhamos formação continuada. Não se ensina aquilo que não se aprendeu — completou.
O debate também abordou o papel do Plano Nacional de Educação (PNE) para garantir que os avanços da cultura digital cheguem a todas as escolas do país, que conta com mais de cinco mil redes municipais de ensino.
— É preciso respeitar as particularidades de cada grupo, mas garantir que o essencial seja acessível a todos. Existem saberes digitais que, independentemente de o aluno estar no Norte, ser um indígena Yanomami, ou no centro de São Paulo, precisam ser assegurados — destacou Zara Figueiredo Tripodi, titular da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação (MEC).
Zara acrescentou que, além de investir em conectividade e infraestrutura, o PNE deve garantir que os materiais digitais abordem questões estruturais da sociedade, como racismo, misoginia e LGBTfobia.
— Sou dos anos 1970 e toda a minha geração fez a educação básica sem conhecer, em um livro de literatura, um único herói ou musa negra. Ao trazer uma cultura digital, é preciso evitar a reprodução desse problema — enfatizou.
Murilo Nogueira, diretor administrativo e financeiro da Fundação Bradesco, também apresentou no debate, reforçando a importância insubstituível dos professores diante das novas tecnologias, como a inteligência artificial.
— A tecnologia sozinha não educa nem transforma a realidade das crianças. Ela oferece informação e acesso, mas cabe ao professor trabalhar esses conteúdos de forma adequada e promover o crescimento dos alunos — afirmou.
Nogueira ressaltou ainda o papel dos educadores no suporte emocional e nas relações interpessoais entre os estudantes, além da troca de experiências no ambiente escolar.
— É importante que os alunos usem a tecnologia para resolver os desafios do dia a dia, mas precisamos educá-los para que façam isso de maneira consciente e proveitosa para o aprendizado — concluído.
Com mediação da jornalista Poliana Abritta, apresentadora do “Fantástico” na TV Globo, a mesa teve a participação especial da atriz Débora Lamm, que interpretou Claudinha, uma professora inicialmente presa aos mitos sobre educação digital, mas que, ao longo do debate, construiu um novo olhar a partir das reflexões dos especialistas.
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