Finanças

Passagens aéreas registram aumento de 9% em abril

Combustível de aviação (QAV) teve alta de 40,7% em relação a abril de 2025, pressionando o setor

Agência O Globo - 21/05/2026
Passagens aéreas registram aumento de 9% em abril
avião - Foto: Depositphotos Foto: https://depositphotos.com/

A tarifa média das passagens aéreas no Brasil atingiu R$ 669,41 por trecho em abril, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O valor representa um aumento de 9% em relação a abril de 2025 e de 9,8% na comparação com abril de 2024.

Mesmo após medidas do governo para conter os reajustes, as passagens continuaram subindo.

Em relação às faixas tarifárias, 45,2% dos assentos comercializados ficaram abaixo de R$ 500, enquanto 6,2% foram vendidos por mais de R$ 1,5 mil.

O preço do combustível de aviação (QAV) alcançou R$ 5,40 por litro no mês passado, alta de 40,7% frente a abril de 2025 e de 23,3% sobre abril de 2024.

Como é calculada a tarifa média

A metodologia da Anac considera todos os bilhetes aéreos adquiridos em abril para voos domésticos, levando em conta apenas o valor pago pelo transporte, sem incluir taxas adicionais, como bagagem ou marcação de assentos. Bilhetes comprados com descontos não disponíveis ao público em geral, como milhas, tarifas corporativas ou para funcionários das companhias, são excluídos do cálculo.

Linhas de crédito e medidas de apoio

No mês passado, o governo anunciou uma linha de financiamento pelo Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para aquisição de combustível, com risco assumido pelas empresas, de até R$ 2,5 bilhões por companhia. Também foi criada uma linha de crédito para capital de giro, no valor de R$ 1 bilhão.

Outra medida foi a publicação de um decreto que zera as alíquotas de PIS/Cofins sobre o QAV, com expectativa de reduzir cerca de R$ 0,07 por litro do combustível. As companhias aéreas ainda puderam adiar, para dezembro, o pagamento das tarifas de navegação aérea ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), referentes aos meses de abril a junho de 2026.

R$ 1 bilhão para o setor aéreo

Nesta terça-feira, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou resolução que define as condições para financiamentos de capital de giro a prestadores de serviços de transporte aéreo doméstico regular. O governo autorizou uma linha emergencial de crédito de até R$ 1 bilhão, com valor máximo de financiamento de até 1,6% do faturamento bruto anual da empresa em 2025, limitado a R$ 330 milhões por beneficiário. O prazo para reembolso é de até seis meses, com amortização em parcela única.

Os encargos financeiros corresponderão a 100% da taxa média dos Certificados de Depósito Interbancário (CDI), acrescidos, em caso de inadimplência, de juros moratórios de 1% ao mês e multa de 2%. A liberação dos recursos deve ocorrer até 28 de junho de 2026, em parcela única.

Para acessar os recursos, as empresas devem apresentar declarações sobre a inexistência de impedimentos à contratação, os impactos do aumento do combustível, os efeitos da ausência da linha de crédito e a compatibilidade entre entradas de caixa e obrigações.

Segundo o governo, "a medida possui caráter emergencial e visa assegurar liquidez imediata às empresas do setor aéreo, de modo a preservar a continuidade das operações do transporte aéreo doméstico diante da forte pressão sobre os custos do setor decorrente da elevação recente do preço do querosene de aviação".

O CMN é presidido pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e composto pelo presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo, e pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.