Finanças

Senado aprova Otto Lobo para presidência da CVM

Indicação foi feita por Lula em janeiro e recebeu aval do Senado por 31 votos a 13

Agência O Globo - 20/05/2026
Senado aprova Otto Lobo para presidência da CVM
Otto Lobo - Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O plenário do Senado aprovou, por 31 votos a 13, a indicação de Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Mais cedo, seu nome já havia sido aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos da Casa.

A indicação de Otto Lobo à presidência da CVM foi encaminhada pelo presidente Lula há pouco mais de quatro meses, em 6 de janeiro. Na mesma ocasião, Igor Muniz também foi indicado para o cargo de diretor da autarquia.

Atualmente, há três vagas abertas na diretoria da CVM, mas apenas duas indicações foram feitas pelo Executivo até o momento.

Durante a sabatina desta quarta-feira, Otto Lobo foi questionado pelos senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Eduardo Braga (MDB-AM) sobre decisões tomadas enquanto diretor, que teriam beneficiado o Banco Master em processos analisados pela CVM.

O caso mais discutido envolveu uma decisão de 2023. Na ocasião, Lobo barrou uma oferta pública de aquisição relacionada a uma companhia do grupo Master, contrariando a análise técnica do órgão. Como presidente do colegiado, utilizou o voto de qualidade, tornando seu voto decisivo.

Na sabatina, Otto Lobo defendeu-se, afirmando que suas decisões foram técnicas nos casos envolvendo o Banco Master.

— Não houve benefício ao Banco Master no caso Ambipar porque a lei é muito clara: não se pode impor OPA contra o não controlador, e essa parte da decisão foi unânime. Não entendo como eu e o diretor Acioli poderíamos ter auxiliado o fundo Master se essa parte foi unânime — afirmou.

Uma investigação da CVM apontou que o grupo Master, de Daniel Vorcaro, teria atuado em conluio com a Ambipar em uma operação para inflar os papéis da multinacional.

Os senadores também questionaram Otto Lobo sobre um suposto apoio do empresário Joesley Batista à sua indicação, o que foi negado pelo indicado do presidente Lula.

— Sobre quem apoia ou não apoia, não posso responder. Não tenho essas informações. O que posso garantir é que todas as minhas decisões foram técnicas — declarou.