Finanças
Executivo chileno é detido por racismo em voo no Brasil: 'cheiro de negro, de brasileiro'; veja vídeo
Ele viajava para a Alemanha e agrediu verbalmente um tripulante a quem também chamou de "macaco", além de ter feito comentários homofóbicos. Com o ocorrido, foi afastado do cargo, segundo a imprensa chilena
Um executivo chileno foi detido nesta sexta-feira (dia 15) no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, após fazer comentários racistas e homofóbicos dentro de um avião contra membros da tripulação e passageiros. Em uma das ofensas, ele ofende um comissário dizendo que tem "cheiro de negro brasileiro" e afirma que ser gay "é um problema".
Conta de luz mais cara:
Classe econômica menor:
O episódio ocorreu em 10 de maio, no voo LA8070 da Latam Airlines, que seguiu de São Paulo para Frankfurt, na Alemanha. Ele foi detido quase uma semana depois, no retorno de sua viagem ao exterior, após participar de uma feira internacional de trabalho.
Germán Naranjo Maldini atuava como gerente de Landes, uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha. Na noite de sexta-feira, os Landes retiraram “formal e preventivamente” o executivo de suas funções, de acordo com a imprensa chilena.
No primeiro trimestre de 2026, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) registrou , na comparação com os primeiros três meses do ano passado.
Novos passageiros aéreos indisciplinados e até mesmo o banimento dos aeroportos por 12 meses, conforme a gravidade da ocorrência.
A agressão do empresário chileno no voo que seguiu para Frankfurt começou quando ele tentou abrir a porta do avião e foi impedido pela tripulação.
Uma pessoa que esteve a bordo gravou um vídeo do comportamento de Maldini que viralizou nas últimas horas, mas não pode ser ouvido os comentários ofensivos e discriminatórios dirigidos a um membro da tripulação.
Ofensas diversas
— Ele é gay contra mim — disse inicialmente.
— Qual é o problema?— Disse uma comissária.
E o chileno, que insistia em afirmar que tinha um problema com o funcionário da companhia aérea, respondeu:
— Ninguém tem problema algum, ele tem um problema comigo. Os gays já bastam ser tão... tão... — disse sem conseguir completar a frase,
Depois complementarou:
— É um problema, para mim, ser gay.
A agressão contínua diante da indignação da restante tripulação, desta vez com comentários racistas:
— Uma pele negra. O que mais... o cheiro de negro brasileiro. Cheiro de brasileiro.
:
Uma das comissárias a bordo afirmou ao viajante: “Vamos desembarcar, porque você está incomodando, agredindo”. Mas ele respondeu de forma questionável:
— Uh, que medo — disse, depois olhando para outra pessoa: — Esse aí eu não sei. Você, negro, macaco, eu não conheço. Macacos ficam nas árvores — provocado para, em seguida, fazer filhos semelhantes aos de um macaco.
Desgaste reputacional:
Segundo o jornal argentino La Nación, a vítima registrada em denúncia junto à Polícia Federal, o que deu início a uma investigação que terminou com uma ordem de prisão preventiva contra Maldini emitida pela Justiça Federal.
Procurada, a Latam informou que Maldini foi detido na última sexta-feira no Aeroporto de Guarulhos, quando retornou ao Brasil para fazer conexão em seu voo.
De acordo com o La Nación, o empresário compareceu perante o juiz em uma audiência de custódia no mesmo dia e, posteriormente, foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Guarulhos, onde permanece à disposição da Justiça.
Em nota, a América Latina disse que condena energicamente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia”. A empresa disse ainda que está oferecendo apoio psicológico e assistência jurídica ao funcionário vítima dessa violência”.
Afastado do cargo
Após os fatos, a Landes divulgou um comunicado no qual repudiou a conduta de seu funcionário. "A Landes condena de maneira categórica e sem nuances qualquer ato de discriminação, racismo ou homofobia. Esse tipo de conduta é absolutamente incompatível com os valores de Landes e com a Política de Não Discriminação, que rege todos os colaboradores da empresa", afirmou a companhia.
No documento, a empresa de pesca esclareceu que tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e que não havia sido notificada da prisão antes de ela se tornar pública.
Crime com no Brasil
Desde 2023, o Brasil equiparou a injúria racial ao crime de racismo, com persistência das penas: o crime tornou-se imprescritível e inafiançável na esfera policial.
A legislação prevê penas de dois a cinco anos de prisão, além de multas. Também em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que insultos homofóbicos são puníveis com pena de prisão.
O caso de Maldini ocorre um pouco depois do episódio envolvendo a advogada argentina Agostina Páez, que foi processada por fazer gestos imitando um macaco em direção a funcionários de um bar em Ipanema, no Rio de Janeiro.
A mulher passou três meses em prisão domiciliar no Brasil até que a Justiça local decidiu retirar seu tornozeleira eletrônica, devolver seu passaporte e exigir o para permitir sua saída do país. Foi útil ainda a fixação de um endereço na Argentina para futuras notificações.
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