Finanças

Seis em cada dez trabalhadores com carteira assinada têm jornada acima de 40 horas semanais

Caso fim da 6x1 seja aprovado, 35 milhões de empregados formais serão contemplados com escalas menores

Agência O Globo - 14/05/2026
Seis em cada dez trabalhadores com carteira assinada têm jornada acima de 40 horas semanais
- Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Seis em cada dez trabalhadores formais no Brasil atuam sob jornadas superiores a 40 horas semanais, conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego. De acordo com a Relação Anual de Informações Sociais de 2025, 58,38% dos empregados com carteira assinada cumprem entre 41 e 44 horas por semana, geralmente em escala 6x1 — seis dias de trabalho para um de descanso.

Se aprovada a proposta que extingue a escala 6x1, quase 60% dos trabalhadores formais poderão ter a jornada semanal reduzida. Em números absolutos, isso representa 35 milhões de pessoas, de um total de 59,9 milhões de empregados formais, incluindo servidores públicos, aprendizes e temporários sob o regime da CLT.

O número de trabalhadores nessa faixa aumentou em relação a 2024, quando eram 34,1 milhões. Apesar disso, a participação desse grupo no total de ocupados diminuiu, passando de 59,81% para 58,38%, devido ao ritmo mais acelerado do crescimento do emprego no país.

Já o percentual de trabalhadores formais com jornada entre 31 e 40 horas semanais ficou em 30,65%, o equivalente a 18,3 milhões de pessoas.

Propostas para o fim da escala 6x1

O debate sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso Nacional, com discussões tanto por meio de Propostas de Emenda à Constituição (PECs) quanto por projeto de lei encaminhado pelo governo federal.

Entre as propostas em análise, o texto do deputado Reginaldo Lopes sugere a redução gradual da jornada de 44 para 36 horas semanais em até dez anos. Já a deputada Erika Hilton propõe não só a diminuição da jornada, mas também a adoção da escala 4x3, com quatro dias de trabalho e três de descanso.

As discussões na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) indicam que o texto final da PEC poderá estabelecer jornada de 40 horas semanais e escala 5x2. Até o momento, os deputados avaliaram apenas a constitucionalidade das propostas, sem entrar no mérito. No parecer aprovado, o relator sugeriu uma fase de transição para adaptação dos setores econômicos e debate sobre possíveis compensações ao setor produtivo.

Com a aprovação, será criada uma comissão especial para aprofundar o debate antes da votação em plenário, prevista pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, para ocorrer até o final de maio.