Finanças

Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9%, aponta ANS

Variação é a menor em cinco anos, mas ainda supera inflação oficial

Agência O Globo - 11/05/2026
Planos de saúde coletivos têm reajuste médio de 9,9%, aponta ANS
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Os planos de saúde coletivos registraram reajuste anual médio de 9,9% nos dois primeiros meses de 2026. Apesar de ser uma variação menor dos últimos cinco anos, o índice representa mais que o dobro da inflação oficial do período.

Os dados referentes aos reajustes anuais aplicados pelas operadoras no início do ano foram divulgados na sexta-feira (8) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), órgão regulador do setor.

A última vez que os planos coletivos — contratados por empresas, empresários individuais e associações de classe — tiveram um reajuste médio inferior à contribuição em 2026 foi em 2021, quando o aumento foi de 6,43%.

Veja a mídia de reajuste dos últimos anos:

Em 2021, ano marcado pela pandemia de covid-19, os planos tiveram reajuste menor devido à redução na realização de consultas, exames e cirurgias eletivas motivadas pelo isolamento social.

Acima da

Para efeito de comparação, em fevereiro de 2026, a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 3,81%.

O Instituto de Defesa dos Consumidores (Idec), organização independente, costuma criticar aumentos superiores à inflação.

A ANS, por outro lado, argumenta que não é adequada a inflação direta entre inflação e reajuste dos planos de saúde.

“O percentual calculado pela ANS considera aspectos como as mudanças nos preços dos produtos e serviços em saúde, bem como as alterações na frequência de utilização dos serviços”, afirma a agência.

Regra de reajuste

Diferentemente dos planos de saúde individuais ou familiares — contratados diretamente com as operadoras —, os reajustes dos planos coletivos são definidos por livre negociação entre a pessoa jurídica contratante e a operadora ou administradora do plano.

Nos planos coletivos com menos de 30 beneficiários, o percentual de reajuste é o mesmo para todos os contratos de uma mesma operadora, permitindo à ANS calcular uma média de reajuste por porta dos planos.

Nos dois primeiros meses de 2026, os planos com 30 ou mais vidas — como é chamado no setor — tiveram aumento médio de 8,71%. Já os com até 29 beneficiários registrados foram reajustados de 13,48%. Segundo a ANS, 77% dos clientes pertencem a planos com 30 ou mais vidas.

No caso dos planos individuais, o percentual de reajuste é definido pela própria ANS.

Dados do setor

De acordo com os dados mais recentes da ANS, referentes a março de 2026, o Brasil contabilizava 53 milhões de vínculos de planos de saúde (uma pessoa pode ter mais de um contrato), um aumento de 906 mil em relação ao ano anterior. De cada 100 clientes, 84 estavam em planos coletivos.

Em 2025, de acordo com a ANS, o setor de saúde registrou receitas totais de R$ 391,6 bilhões e lucro líquido acumulado de R$ 24,4 bilhões, o maior já registrado.

Isso significa que, para cada R$ 100 recebidos, o setor obteve cerca de R$ 6,20 de lucro.