Finanças

Escala 6x1: quem trabalha 44h por semana ganha, em média, 58% menos que quem cumpre 40h, aponta estudo

Sete em cada dez profissionais CLT ganham, em média, R$ 2.627 por mês. Entre os que trabalham até 40h, média é de R$ 6.211. Conta é feita com base no salário por hora trabalhada. Baixa escolaridade e qualificação explicam diferença

Agência O Globo - 22/04/2026
Escala 6x1: quem trabalha 44h por semana ganha, em média, 58% menos que quem cumpre 40h, aponta estudo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Sete em cada dez trabalhadores celetistas no país têm jornada de 44 horas por semana. Eles ganham, em média, R$ 2.627,25 por mês, 58% menos que os trabalhadores com jornada de 40 horas semanais, cujo salário médio chega a R$ 6.211. A conta é feita com base no salário por hora trabalhada.

Fim da escala 6x1:

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As informações fazem parte do estudo feito pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a partir dos dados da RAIS 2023.

Em 2023, o país tinha cerca de 44 milhões de trabalhadores com carteira assinada, segundo a pesquisa. Apenas 3% não informaram a jornada. Entre os demais, predomina a carga horária de 44 horas semanais. Está presente em 74% dos vínculos, o equivalente a 31,8 milhões de trabalhadores.

As jornadas menores são menos frequentes. Cerca de 3,7 milhões de pessoas (9%) têm contratos de 40 horas semanais, enquanto 4,6 milhões (11%) trabalham até 36 horas. Uma parcela de 3% (1,1 milhão) tem jornada formal superior a 44 horas.

Escala 6x1:

Além de pagarem menos, o estudo aponta que os vínculos com jornadas acima de 40 horas tendem a ser mais instáveis, com maior rotatividade e menor duração.

Baixa escolaridade e qualificação

A baixa escolaridade e qualificação ajudam a explicar por que quem trabalha mais horas tende a ganhar menos. É o caso dos postos que exigem pouca formação formal.

Entre aqui mecânicos e técnicos que consertam equipamentos, operadores de máquinas em fábricas, trabalhadores agropecuários, além de ocupações do comércio e dos serviços, como vendedores, atendentes e pessoas em funções operacionais. Nesses grupos, 80% a 90% deles trabalham 41 horas ou mais por semana, segundo o estudo do Ipea.

PEC ou projeto de lei?

Já os profissionais com jornadas mais curtas estão mais alocados em ocupações que exigem maior formação, como as chamadas "áreas científicas e artísticas de nível superior", pela classificação. Aqui entram os médicos, enfermeiros, engenheiros, economistas, advogados, professores, pesquisadores, analistas e arquitetos, por exemplos.

Este grupo, além dos técnicos de nível médio e profissionais administrativos, concentra uma parcela maior de trabalhadores com jornadas reduzidas. Entre 10% e 25% trabalham até 39 horas por semana.

Reunião:

Quanto menor a escolaridade, maior costuma ser uma jornada. Entre trabalhadores analfabetos ou com ensino fundamental incompleto, 90,9% têm jornadas de 41 horas ou mais por semana. Esse percentual reduz um pouco entre aqueles com ensino médio (83,2%).

Só cai de forma acentuada entre quem tem ensino superior. Nesse grupo, 53,1% trabalham mais de 40 horas, enquanto 25% têm jornadas de 40 horas e 22% trabalham até 39 horas semanais.

Não é possível afirmar, porém, que quem possui jornada de 44 horas está trabalhando em escala 6x1. É comum no mercado que os contratos de 44 horas sejam distribuídos em escala 5x2, com as horas que excedem oito por dia compensado ao longo da semana.

Custo do trabalho

A pesquisa mede o efeito da redução da jornada de trabalho sobre o custo do trabalho. Como resultado, constatou que reduziu a jornada de 44 horas semanais para 40 horas semanais. O efeito, contudo, varia de acordo com o setor e o recorte analisado.

Fim da escala 6x1:

Considerando os setores que são mais custosos para o empregador, o peso da redução da jornada é maior sobre as atividades intensivas em mão de obra, como serviços de vigilância, limpeza e apoio administrativo, onde os trabalhadores têm parcela maior das despesas.

Já quando se considera o número de trabalhadores, a redução da jornada para 40 horas semanais deve atingir principalmente o comércio, a indústria e a construção.

Ao restringir a análise aos maiores funcionários do país, o impacto sobre o gasto total das empresas se mostra, em geral, mais limitado. Para grandes funcionários como a fabricação de produtos alimentícios, o comércio por atacado e de veículos, o efeito total da redução de jornada sobre os custos não chega a 1%.

“Somada à experiência histórica de redução de jornada, há apelos de capacidade dos setores produtivos em absorver aumentos nos custos de trabalho, ainda que seja necessidade de atenção especial para alguns setores econômicos”, conclui o estudo.