Finanças

União Europeia já analisa 4 projetos de minerais críticos no Brasil

Em debate na Hannover Messe 2026, representante europeu defende mais ação do poder público no setor

Agência O Globo - 22/04/2026
União Europeia já analisa 4 projetos de minerais críticos no Brasil
União Europeia - Foto: Reprodução

O Brasil e a União Europeia (UE) realizaram uma tarefa de força que tem sido reunida mensalmente desde novembro para avançar numa parceria na área de minerais críticos. No momento, quatro projetos estão em avaliação para investimentos europeus — dos 56 que foram apresentados pelo Brasil — mas é preciso que o setor público brasileiro esteja disposto a investir, afirma o diretor da Comissão Europeia para América Latina e Caribe, Félix Fernández-Shaw. Ele participou do debate sobre a cooperação entre Brasil e União Europeia (UE), realizado na Hannover Messe 2026, feira industrial de Hanôver, na Alemanha.

Lula:

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Fernández-Shaw disse que, “em vez de grandes palavras”, decidiu-se criar o grupo de trabalho para debater possíveis formas de cooperação. Segundo ele, as conversas estão avançadas para os quatro projetos selecionados pelos europeus — ainda não tornados públicos —, mas há obstáculos em relação a preços, participação do setor público e padrões ambientais e sociais.

A coordenadora-geral de Assuntos Internacionais do Ministério de Minas e Energia (MME), a diplomata Camila Silva Leão d'Araujo Olsen, e a especialista da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) Ana Repezza destacaram a importância de uma questão dos minerais críticos além da exploração mineral.

— Temos uma história de mineração, mas temos agora uma nova política industrial, mais densa. É importante desenvolver cadeias de valor. É o que temos pensado com a UE — disse Ana Repezza.

Parceria e diversificação

Segundo o diretor da Comissão Europeia, Brasil e UE têm interesse em diversificação:

— Trabalhar por essa parceria significa investir nisso, trazer sua indústria, mas também dinheiro. Como nós, políticos e servidores públicos, fazemos isso funcionar? Como mostramos, com ações, o que acreditamos? — disse Fernández-Shaw, acrescentando que o mercado tende a seguir por alternativas de investimento que privilegiam apenas a exploração dos minerais.

Na segunda-feira, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde, responsável pela única mina de terras-raras em produção no Brasil, em Goiás.

Fernández-Shaw disse que o bloco europeu está disposto a compartilhar tecnologia e contribuir para o desenvolvimento das cadeias de produção locais, mas o investimento é alto e requer ação local.

—Estamos prontos para compartilhar tecnologia com o Brasil, trabalhar em uma cadeia de valor e não apenas na extração e exportação de recursos minerais. Estamos prontos para fazer muito mais. Mas o mercado está se afastando disso. Os parceiros que vemos de fora são na linha de “queremos comprar a mina, queremos comprar o produto”. Acontece que investir é caro, requer cooperativa e participação do Estado — disse.

Um dos pontos importantes para o desenvolvimento de minerais críticos, segundo Camila, do MME, é encontrar maneiras de financiar os projetos, muitas vezes a carga de empresas pequenas e médias, que assumem o risco:

— É preciso dar sinais a esses empresários, cofinanciamento, divisão de risco.

No momento, diversas áreas do governo, setor privado e especialistas discutem os detalhes da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos no âmbito do Conselho Nacional de Política Mineral (CNPM).

Os críticos críticos ganharam destaque nas conversas de alto nível entre o Brasil e a União Europeia, como na visita ao Brasil no fim de 2025 da presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen e neste encontro agora na Alemanha entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, sendo citados em discursos pelos dois líderes.

No comunicado oficial sobre as reuniões, Brasil e Alemanha destacaram a “disposição para discutir futura cooperação em minerais críticos”. Foi fechada, inclusive, uma declaração conjunta de interesses sobre cooperação científica e tecnológica na área no âmbito das reuniões entre Lula e Merz.

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, citou o setor de minerais críticos como um dos que têm importância estratégica da relação bilateral entre Brasil e Alemanha. Alban reforçou que o Brasil tem reservas significativas e que esses insumos são fundamentais para a transição tecnológica energética e para a indústria de alta.

"Não apoiamos ser apenas uma exportação de recursos naturais. Buscamos processar, agregar valor e desenvolver tecnologias para construir cadeias industriais completas de produção", disse.

*Os repórteres viajaram a convite da ApexBrasil