Finanças

Apple vira primeira empresa trilionária da história; conheça sua trajetória

Fundada na Califórnia em 1976, gigante do iPhone atravessou crises, revolucionou mercados e chega aos 50 anos com nova troca de comando após era Tim Cook

Agência O Globo - 21/04/2026
Apple vira primeira empresa trilionária da história; conheça sua trajetória
Apple vira primeira empresa trilionária da história; conheça sua trajetória - Foto: Reprodução

A Apple anunciou John Ternus como próximo presidente-executivo da companhia, substituindo Tim Cook a partir de setembro — marcando assim uma nova etapa de sua história. A mudança encerra um ciclo de quase 15 anos sob o comando de Cook e vem justamente no ano em que a empresa completa 50 anos. De uma startup criada por dois jovens entusiastas da tecnologia a gigante global avaliada em trilhões de dólares, a trajetória da Apple é marcada por reinvenções sucessivas.

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A companhia foi fundada em 1º de abril de 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne, em Los Altos, na Califórnia. Jobs e Wozniak, que ficaram conhecidos como os “dois Steves”, obtiveram montando computadores de forma artesanal. O primeiro produto, o Apple I, era uma placa de circuito vendida para hobbyistas, mas já indicava o potencial de transformar a computação em algo acessível ao público comum.

No ano seguinte, a Apple deu seu primeiro salto comercial com o lançamento do Apple II. Mais sofisticado e pronto para uso doméstico, o modelo se tornou um sucesso de vendas e ajudou a popularizar o computador pessoal nos Estados Unidos. O desempenho impulsionou a abertura de capital da empresa em 1980, uma das mais comentadas da época, criando centenas de milionários entre funcionários e investidores iniciais.

Em 1984, a Apple apresentou o Macintosh, máquina que entrou para a história por popularizar a interface gráfica e o uso do mouse. O lançamento foi cercado por forte campanha publicitária, incluindo um comercial famoso exibido no Super Bowl. Apesar do impacto cultural, as divergências internacionais se intensificaram. No ano seguinte, Steve Jobs deixou a companhia após disputa com executivos e membros do conselho.

Sem seu principal nome criativo, a Apple avançou anos de perda de relevância diante do avanço de concorrentes no mercado de PCs. A crise se agravou na década de 1990, até que Jobs retornou em 1997, após a compra da NeXT, empresa que havia sido fundada depois de sair da Apple. Sua volta marcou o início de uma reestruturação severa, com corte de produtos, reorganização administrativa e nova aposta em design e integração entre hardware e software.

Os primeiros sinais de recuperação surgiram em 1998, com o iMac. O computador colorido, de visual ousado para a época, recolocou a marca no centro das atenções. Três anos depois, a empresa lançou o iPod, que redefiniu o consumo de música digital e abriu caminho para a expansão do ecossistema Apple. No mesmo período, a companhia passou a investir em lojas próprias, fortalecendo a relação direta com os consumidores.

A transformação definitiva ocorreu em 2007, quando Steve Jobs apresentou o iPhone. O aparelho reuniu telefone, navegador de internet e tocador de música em um único dispositivo e mudou a indústria global de celulares. A Apple deixou de ser vista apenas como fabricante de computadores e se tornou protagonista da era dos smartphones. Em 2010, reforçou esse movimento com o iPad, criando uma nova categoria de produto entre celulares e notebooks.

Em 2011, semanas após deixar o comando por motivos de saúde, Jobs morreu aos 56 anos. Tim Cook, que já veio conduzindo a operação, foi substituído de forma definitiva. Considerado inicialmente um executivo de perfil operacional, Cook ampliou de forma expressiva o tamanho da companhia. Sob sua gestão, a Apple reforçou áreas como serviços digitais, assinaturas, relógios inteligentes e fones sem fio, além de aprofundar compromissos ambientais e de privacidade.

O mercado financeiro respondeu. Em 2018, a Apple se tornou a primeira empresa de capital aberta dos Estados Unidos a atingir valor de mercado de US$ 1 trilhão. Nos anos seguintes, avançou ainda mais e consolidou posição entre as companhias mais valiosas do mundo. Em 2020, iniciou outra transição importante ao substituir a Intel por chips próprios nos computadores Mac, movimento visto como estratégico para aumentar desempenho e independência tecnológica.

Mais recentemente, a empresa passou a buscar novas frentes de crescimento com produtos como o Vision Pro e com investimentos em inteligência artificial. É nesse contexto que John Ternus assume o comando. Veterano da companhia e responsável por liderar o desenvolvimento de hardware nos últimos anos, ele herdou uma empresa sólida financeiramente, mas pressionado para provar que ainda pode liderar a próxima grande revolução tecnológica: a inteligência artificial.