Finanças

Homem é condenado a 10 anos de prisão por fraude milionária com vinhos raros

Britânico enganou investidores em US$ 97 milhões prometendo retorno com garrafas inexistentes de vinho de luxo.

Agência O Globo - 20/04/2026
Homem é condenado a 10 anos de prisão por fraude milionária com vinhos raros
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um britânico foi condenado a 10 anos de prisão no Brooklyn, Nova Iorque, após enganar investidores em US$ 97 milhões por meio de um esquema envolvendo uma suposta coleção de vinhos raros e valiosos que, na verdade, não existia.

James Wellesley, de 59 anos, recebeu a sentença nesta segunda-feira. A juíza distrital dos EUA, Pamela Chen, classificou o caso como um "crime descarado". Wellesley se declarou culpado, em outubro, por conspiração para cometer fraude eletrônica. A pena ficou abaixo dos 12 anos e meio solicitados pelos promotores federais.

Segundo a promotoria, entre junho de 2017 e fevereiro de 2019, Wellesley e o co-réu Stephen Burton comandaram um esquema Ponzi — popularmente conhecido no Brasil como pirâmide financeira. Os dois alegavam que a empresa Bordeaux Cellars intermediava empréstimos com juros altos para colecionadores de vinho, que supostamente ofereciam safras raras como garantia.

Os réus afirmavam possuir um vasto estoque de vinhos, com cada garrafa avaliada em milhares de dólares, e prometiam pagamentos regulares aos investidores a partir do dinheiro arrecadado dos colecionadores. No entanto, nem os vinhos nem os colecionadores existiam, e parte dos valores recebidos era usada para despesas pessoais, segundo os promotores.

“Esse tipo de fraude, nessa escala, literalmente destrói vidas”, afirmou a juíza Chen, citando o relato de uma mulher de 58 anos com um filho deficiente, que perdeu todas as economias de US$ 200 mil.

A defesa de Wellesley, representada por Michael Weil, pediu clemência alegando que o réu era o principal cuidador de sua esposa, portadora de doença renal, até ser preso no Reino Unido em 2022. Ele foi extraditado para os EUA em julho. Weil acrescentou que Wellesley está em processo de reabilitação e chegou a ensinar finanças a outros detentos enquanto aguardava a extradição.

Por outro lado, os promotores defenderam uma pena superior a 12 anos e meio, destacando o impacto da fraude, que atingiu pelo menos 141 vítimas em diversos países: 71 nos EUA, 21 no Reino Unido e 10 em Hong Kong.

Os promotores também informaram que Wellesley possui duas condenações anteriores no Reino Unido, incluindo falsificação de documentos contábeis, e que ingressou no esquema logo após ser libertado da prisão por fraude imobiliária.

“Este não é um caso em que os réus tentaram operar uma empresa de forma legítima e só recorreram a táticas fraudulentas ao se depararem com dificuldades comerciais”, destacou o promotor Ben Weintraub em memorando. “A Bordeaux Cellars era uma empresa totalmente fraudulenta desde sua concepção.”

O co-réu Stephen Burton, que já se declarou culpado e concordou em pagar multa de US$ 26 milhões, será julgado em maio.