Finanças

Lula afirma na Alemanha que Brasil não aceita mais papel de país invisível

Presidente inaugura pavilhão brasileiro na Hannover Messe 2026 ao lado do chanceler alemão, com presença de Durigan, Mercadante e Silveira

Agência O Globo - 20/04/2026
Lula afirma na Alemanha que Brasil não aceita mais papel de país invisível
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © Foto / Palácio do Planalto / Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira que o Brasil está cansado de ser tratado como país “pequeno ou invisível”. A afirmação foi feita durante a abertura oficial do Pavilhão Brasil na Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, realizada em Hanôver, Alemanha, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz. Lula destacou a importância da parceria entre Brasil, Alemanha e Europa.

Brasil como parceiro global

O Brasil é o país-parceiro oficial da edição deste ano da Hannover Messe, reunindo representantes de 300 empresas e 140 expositores nacionais. "O Brasil pode ser tratado como país pobre, de Terceiro Mundo e invisível. Somos um país do sul global e queremos fortalecer nossa aliança com a Europa, especialmente com a Alemanha, para garantir um futuro mais promissor para brasileiros e alemães", afirmou Lula durante o evento.

Em seu discurso, o presidente ressaltou a longa história de relações entre Brasil e Alemanha, iniciada em 1850 com a imigração alemã, e lembrou que diversas empresas alemãs atuam há décadas no Brasil.

Desafios da era digital

Lula também abordou os desafios atuais da comunicação global. “A era da verdade se esvaiu, vivemos sob a era das fake news. A revolução digital está mudando o comportamento humano, afastando-nos do convívio em comunidade e harmonia”, alertou.

O chanceler Friedrich Merz agradeceu a parceria com o Brasil e elogiou a liderança brasileira na transição energética. “Que podemos abrir nossos mercados e aprender com produtos, processos e invenções do Brasil. É impressionante o que o país realiza em tecnologias agrícolas”, destacou Merz.

Visitas e informativo

Após a abertura de abertura, Lula visitou estandes de empresas brasileiras e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), acompanhado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. O presidente representou brasileiros que trabalham na feira, demonstrando proximidade com os expositores.

No estande da Weg, Lula conheceu novos motores sustentáveis ​​e eficientes desenvolvidos pela empresa, que mantém três fábricas na Alemanha. Em seguida, visitou a B8, companhia brasileira que lançou na feira o biocombustível BeVant. Lula subiu em um caminhão da Mercedes-Benz capaz de operar com 100% desse biocombustível, reduzindo em até 99% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel fóssil.

O presidente registrou um desafio feito à Mercedes-Benz durante a COP-30, em Belém, pedindo a comparação entre os combustíveis usados ​​no Brasil e na Alemanha para avaliar qual é menos poluente. "O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Somos grandes produtores de combustível e etanol, com 30% de etanol na gasolina e 15% de biodiesel no combustível. Queremos mostrar que já emitimos menos poluentes sem precisar pagar mais por tecnologia nos veículos", explicou Lula.

No estande da ApexBrasil, Lula conheceu o Evtol, carro voador desenvolvido pela Eve, colaborado da Embraer. Há menos de um mês, o presidente já havia acompanhado o voo do protótipo em Gavião Peixoto (SP). A executiva Juliana Kiraly informou que a primeira empresa a operar o Evtol será a Revo, com estreia prevista para a cidade de São Paulo.

Lula também se reuniu com representantes da Vale e conheceu um ônibus elétrico operado pela Üstra Hannoversche Verkehrsbetriebe, principal empresa de transporte público de Hanôver.