Finanças
Lula destaca acordo UE-Mercosul, rebate críticas à agricultura e questiona barreiras ao biocombustível
Paralisia da OMC aponta necessidade de refundar organização, disse presidente brasileiro na Alemanha
Às vésperas da entrada em vigor do acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, neste domingo (20), em Hanôver, na Alemanha, a importância da parceria entre os blocos. Lula, no entanto, criticou o que chamou de "afirmativas falsas" sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e condenou as barreiras impostas ao biocombustível nacional, exigindo que os europeus considerem a matriz energética limpa do Brasil.
O presidente discursou na cerimônia de abertura da Hannover Messe, maior feira industrial do mundo, que neste ano tem o Brasil como país-destaque e ocorre até a próxima sexta-feira, dia 26. Lula destacou que "o convite do Brasil para a feira de Hannover consolida a posição do país como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza". Em sua fala, também fez críticas à guerra no Irã e à política internacional do governo de Donald Trump.
Lula voltou a criticar a "paralisia da OMC [Organização Mundial do Comércio]" e defendeu a necessidade de uma restituição da entidade. “A incorporação efetiva dos interesses do Sul Global é condição essencial para que arranjos multilaterais sejam legítimos e relevantes”, afirmou.
O presidente exaltou o acordo Mercosul-UE, que passará a vigorar parcialmente a partir de 1º de maio. "Em menos de duas semanas entra em vigor acordo que cria mercado de quase 720 milhões de pessoas e PIB de US$ 22 trilhões. Mais negociações e investimentos significam novos empregos e oportunidades. Com maior integração produtiva, reforçamos a estabilidade das cadeias de suprimentos. Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas. O Brasil pode ajudar a UE a diminuir o custo de energia e descarbonizar", afirmou Lula.
Ele também reforçou a necessidade de reconhecimento da matriz energética brasileira: "É essencial que o bloco leve em conta a matriz energética usada em nossos processos. Ainda combatemos afirmativas falsas a respeito da sustentabilidade de nossa agricultura. Criar barreiras de acesso a biocombustíveis é contraproducente do ponto de vista ambiental e energético. Em 1970 vivemos choques do petróleo que evidenciaram os perigos da dependência do petróleo".
Mais cedo, Lula reuniu-se de forma privada com Friedrich Merz, chanceler alemão. O presidente brasileiro, que está em viagem pela Europa, participará novamente da Feira de Hannover nesta segunda-feira (21) e, na terça-feira (22), seguirá para Lisboa.
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