Finanças

Ministro da Fazenda alerta para efeitos da guerra no Oriente Médio sobre fertilizantes e alimentos

Durigan aponta riscos indiretos ao agronegócio brasileiro e pressão sobre a inflação mundial

Agência O Globo - 16/04/2026
Ministro da Fazenda alerta para efeitos da guerra no Oriente Médio sobre fertilizantes e alimentos
Dario Durigan - Foto: Reprodução

Dario Durigan, ministro da Fazenda, alertou que a guerra no Oriente Médio pode trazer efeitos indiretos à produção de alimentos, especialmente ao afetar cadeias de insumos como fertilizantes.

“Os riscos para as perspectivas econômicas intensificaram-se na direção negativa. Caso a guerra no Oriente Médio se prolongue ou se expanda pela região, as disrupções nos mercados de energia tenderão a persistir, com efeitos secundários sobre outras cadeias de suprimentos relevantes, como fertilizantes e alimentos, além de impactos adversos sobre a inflação e as condições financeiras”, declarou o ministro em documento enviado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional.

Durigan também destacou que uma possível crise de refugiados poderia ampliar os efeitos desestabilizadores em várias regiões.

“A possibilidade de escalada adicional do conflito agrava as cicatrizes ainda presentes de choques anteriores. Em muitos países, o espaço fiscal é limitado e os colchões de proteção são reduzidos. O sistema global de comércio permanece fragilizado, e a fragmentação geoeconômica tende a se intensificar. As mudanças climáticas e a degradação ambiental continuam a representar ameaças existenciais à humanidade e devem ser enfrentadas com urgência pela comunidade internacional”, afirmou.

Ao abordar o cenário brasileiro, o ministro ressaltou que o país tem posição sólida para lidar com o aumento dos preços de energia, mas ponderou que parte desse efeito positivo pode ser neutralizado por dificuldades no acesso a fertilizantes, essenciais ao agronegócio nacional.

O documento também aponta que esse contexto pode ser agravado por fatores como redução da demanda global, elevação dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas.

Segundo Durigan, o conflito já desorganizou os mercados globais de energia e pode impactar também o setor de alimentos, elevando o risco de aumento de preços, perda de renda das famílias e mais desafios para conter a inflação em escala mundial.

“Em todo o mundo, o aumento dos preços de energia e alimentos tende a corroer a renda real, reduzir o consumo e dificultar os processos de desinflação em curso. A combinação de crescimento mais fraco e pressões inflacionárias ascendentes suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação mundo afora e evidencia a crescente complexidade da política econômica”, concluiu o ministro.