Finanças
Guerra no Oriente Médio pode afetar fertilizantes e alimentos, diz ministro da Fazenda
Durigan afirma que conflito pode provocar impactos indiretos sobre o agronegócio e pressionar a inflação global
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a guerra no Oriente Médio pode gerar efeitos indiretos sobre a produção de alimentos, ao impactar cadeias de insumos como os fertilizantes.
“Os riscos para as perspectivas econômicas intensificaram-se na direção negativa. Caso a guerra no Oriente Médio se prolongue ou se expanda pela região, as disrupções nos mercados de energia tenderão a persistir, com efeitos secundários sobre outras cadeias de suprimentos relevantes, como fertilizantes e alimentos, além de impactos adversos sobre a inflação e as condições financeiras”, declarou o ministro em documento enviado ao Comitê Monetário e Financeiro Internacional.
Segundo Haddad, uma eventual crise de refugiados também poderia ampliar os efeitos “desestabilizadores” em diversas regiões.
“A possibilidade de escalada adicional do conflito agrava as cicatrizes ainda presentes de choques anteriores. Em muitos países, o espaço fiscal é limitado e os colchões de proteção são reduzidos. O sistema global de comércio permanece fragilizado, e a fragmentação geoeconômica tende a se intensificar. As mudanças climáticas e a degradação ambiental continuam a representar ameaças existenciais à humanidade e devem ser enfrentadas com urgência pela comunidade internacional”, acrescentou.
Ao tratar do Brasil, o ministro ressaltou que o país está em posição sólida para enfrentar o aumento dos preços de energia, mas ponderou que parte desse efeito positivo pode ser neutralizado por dificuldades no acesso a fertilizantes, essenciais ao agronegócio brasileiro.
O documento também aponta que esse cenário pode ser agravado por outros fatores, como redução da demanda global, elevação dos preços de importação e condições financeiras mais restritivas.
Na avaliação do ministro, o conflito já provocou desorganização nos mercados globais de energia e pode impactar também o setor de alimentos. Com isso, há risco de elevação de preços, perda de renda das famílias e maior desafio para conter a inflação mundial.
“Em todo o mundo, o aumento dos preços de energia e alimentos tende a corroer a renda real, reduzir o consumo e dificultar os processos de desinflação em curso. A combinação de crescimento mais fraco e pressões inflacionárias ascendentes suscita preocupações quanto a dinâmicas de estagflação mundo afora e evidencia a crescente complexidade da política econômica”, concluiu.
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