Finanças

Lula critica fim do imposto sindical: 'Os empresários não foram asfixiados'

Presidente compara extinção da contribuição obrigatória à estratégia de combate ao crime organizado e defende fortalecimento dos sindicatos

Agência O Globo - 15/04/2026
Lula critica fim do imposto sindical: 'Os empresários não foram asfixiados'
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Foto: © AP Photo / Eraldo Peres

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comparou o fim do imposto sindical à asfixia financeira que o governo pretende impor a organizações criminosas. Em encontro com centrais sindicais no Palácio do Planalto, Lula afirmou que a extinção da contribuição obrigatória desestruturou os sindicatos, deixando essas entidades sem recursos para promover mobilizações.

O imposto sindical obrigatório foi extinto em novembro de 2017, com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, durante o governo do ex-presidente Michel Temer (MDB).

“Tem muita gente que acha que o movimento sindical morreu e, por isso, acabaram com o imposto sindical. Eles fizeram com vocês o que nós queremos fazer com o crime organizado. Se a gente quer acabar com o crime organizado, temos que asfixiar a economia deles. Enquanto eles tiverem o dinheiro que têm, a gente não acaba. E eles trataram o sindicato assim: vamos asfixiá-los, deixá-los sem dinheiro, e eles não conseguem se organizar, fazer panfleto, fazer protesto. Mas os empresários não foram asfixiados, porque eles têm o Sistema S. Eles continuam fazendo o que sempre fizeram”, declarou Lula.

Lula recebeu representantes de 36 entidades de classe trabalhadora, incluindo a Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, União Geral dos Trabalhadores e Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

No evento, o presidente foi presenteado pelos sindicalistas com um boné vermelho com a mensagem: “Pelo fim da escala 6x1”. O projeto do governo sobre o tema foi enviado ao Congresso na última terça-feira com pedido de urgência, o que obriga a Câmara a analisar a proposta em prazo determinado, sob risco de travamento da pauta.

A proposta do governo prevê a redução da jornada de trabalho sem corte de salários, sob o argumento de que ganhos de produtividade permitiriam sustentar a mudança. No Planalto, o tema é tratado como uma das principais vitrines sociais da gestão e é visto como uma pauta de forte apelo popular, especialmente em um ambiente pré-eleitoral.