Finanças

Um dia após Lula enviar novo projeto, comissão da Câmara insiste em votar hoje PEC do fim da escala 6x1

Hugo Motta prevê que tema possa ser levado ao plenário até o fim de maio

Agência O Globo - 15/04/2026
Um dia após Lula enviar novo projeto, comissão da Câmara insiste em votar hoje PEC do fim da escala 6x1
- Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Luiz Inácio da Silva (PT) para o fim da escala de trabalho 6x1 abriu uma indefinição sobre o destino das propostas que já tramitam na Câmara dos Deputados, como as propostas de emendas constitucionais (PECs) de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Luiz Marinho:

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Na Casa, os textos em discussão são PECs, discutidas em conjunto após um apensado dos projetos. A PEC, que ficou conhecida como o fim da escala 6x1, prevê o fim do modelo em que o trabalhador atua seis dias por semana e folga um, além de reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas.

A previsão é que a proposta seja comprovada hoje, às 10h, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O relator, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), apresenta seu parecer. Nesta etapa, a análise se restringe à constitucionalidade do texto, sem entrar no mérito da proposta.

Impacto:

Apesar do envio do novo projeto pelo Executivo, a sinalização dentro da Câmara é de manutenção do cronograma. Ontem, o presidente da Casa, (Republicanos-PB), afirmou que o cronograma da PEC está suspenso.

O presidente da CCJ, Leur Lomanto Júnior (União Brasil-BA), afirmou ao GLOBO que a comissão deve “seguir com a programação”.

Até ontem, a avaliação predominante na Casa era de que a tramitação da PEC seria mantida, embora Hugo Motta tenha sinalizado que iria discutir o tema com líderes partidários. A expectativa é que, caso a admissibilidade seja aprovada pela CCJ, uma comissão especial para discutir o mérito da proposta será criada antes de eventual votação em plenário.

Datafolha

A indefinição surge porque, na noite de terça-feira, o governo formalizou o envio de um novo projeto de lei sobre o mesmo tema ao Congresso, após semanas de sinalizações de que apresentaria uma alternativa própria.

Apesar disso, não há, até o momento, uma decisão clara sobre como as duas propostas irão conviver. Segundo relatos, Motta indicou em reunião com Lula na terça-feira que a tramitação da PEC deve seguir, pelo menos por enquanto. O registro foi de que o cronograma está restrito e que qualquer mudança dependerá de uma conversa mais ampla com líderes partidários.

Economistas se dividem:

Segundo interlocutores de Motta, a previsão de uma reunião de líderes está sendo programada para quarta ou quinta-feira desta semana e o projeto do fim da 6x1 entrará na discussão.

Nos bastidores, o envio do projeto pelo governo também expôs divergências dentro da própria base aliada. Segundo um interlocutor do PT, a proposta de encaminhar um projeto de lei já vinha sendo defendida desde fevereiro pelo líder do partido na Câmara, Pedro Uczai (SC), mas não foi consenso na bancada.

Isso porque a PEC em tramitação tem como autor o deputado petista Reginaldo Lopes, o que cria uma divisão interna sobre qual caminho priorizar. (PT-CE), então líder do governo na Câmara, também chegou a manifestar os aliados ser contra o envio de um novo texto pelo Executivo.

Ao GLOBO, Lopes afirmou que, mesmo com o envio de um novo projeto pelo governo, seguirá apoiando o avanço da PEC. Para ele, o apoio de Lula ao tema significa o apoio de um “aliado histórico” da defesa dos trabalhadores, mas entende que seu projeto dá mais segurança jurídica aos setores da economia.

Com relação à possibilidade de inclusão de temas não correlacionados à escala de trabalho, o deputado argumenta que o formato do texto não necessariamente importa.

— Independentemente do texto, o que for aprovado será fruto de convergência e acordo (entre os parlamentares). Essa discussão será baseada no consenso —afirmou.

A avaliação dentro do partido agora é de que será necessário um período para “digerir” a iniciativa do governo. Apesar disso, a tendência é que a bancada possa se alinhar ao projeto enviado pelo Palácio do Planalto.

Na semana passada, Uczai já havia defendido publicamente o envio de um projeto de lei como alternativa à PEC. Segundo ele, o instrumento é mais vantajoso para o governo do ponto de vista de tramitação, já que passa a trancar a pauta da Câmara caso não seja votado em até 45 dias.

Além disso, por depender de sanção presidencial, o texto permitiria maior controle do Executivo sobre eventuais mudanças feitas pelos parlamentares ao longo da tramitação, os chamados “jabutis” no jargão do legislativo.

Já (PT-RS), atual líder do governo na Câmara, defendeu o projeto enviado pelo governo e disse que a intenção é “fazer um amplo debate com a população brasileira”. O deputado afirmou aos aliados que pretende entregar pessoalmente o texto do Executivo ao presidente Hugo Motta.