Finanças

Banco Central aponta R$ 10,6 bilhões em dinheiro esquecido nos bancos

Valor corresponde ao mês de fevereiro; 47 milhões de pessoas físicas têm R$ 8,1 bi a receber, e 5 milhões de empresas, R$ 2,4 bilhões.

Agência O Globo - 14/04/2026
Banco Central aponta R$ 10,6 bilhões em dinheiro esquecido nos bancos
- Foto: Reprodução

Os bancos brasileiros acumularam R$ 10,6 bilhões em dinheiro esquecidos no mês de fevereiro, segundo informou o Banco Central nesta terça-feira (13). O valor é semelhante ao registrado em janeiro, quando o montante era de R$ 10,5 bilhões. Até o momento, já foram devolvidos R$ 14,2 bilhões aos titulares.

De acordo com as estatísticas de valores a receber, os recursos esquecidos incluem 47 milhões de pessoas físicas, que somam R$ 8,1 bilhões, e 5 milhões de empresas, responsáveis ​​por R$ 2,4 bilhões. Do total a ser devolvido, R$ 6,3 bilhões estão nos bancos, R$ 2,6 bilhões em administradoras de consórcio e R$ 953 milhões em cooperativas.

A maior parte dos valores (63,2%) corresponde a valores de até R$ 10. Outros 24,3% estão entre R$ 10,01 e R$ 100, enquanto 10,5% variam de R$ 100,01 a R$ 1.000. Apenas 1,99% dos casos envolvem valores acima de R$ 1.000.

Em meio ao debate sobre um novo programa para aliviar o orçamento das famílias endividadas, o governo está disponível para utilizar o estoque de recursos esquecidos como financiamento para capitalizar o Fundo Garantidor de Operações (FGO). A proposta, entretanto, enfrenta críticas.

Os especialistas argumentam que a medida poderia ser considerada uma espécie de confisco de recursos privados, embora uma alteração legal feita em 2024 determine que, após o prazo para resgate, o direito ao dinheiro está perdido. Os bancos, por sua vez, resistiram à ideia, pois perderiam uma fonte de recursos de baixo custo.

O governo busca uma solução fiscalmente sustentável. Em tese, ao ingressar na caixa do Tesouro Nacional, o dinheiro esquecido não pode ser contabilizado como receita, por questões contábeis do Banco Central. Já ao ser transferido para o FGO, seria considerada despesa, exigindo um mecanismo que permite o repasse direto ao fundo, sem passar pelo orçamento.