Finanças

Falhas em sistemas do INSS causam prejuízo de R$ 233 milhões e aumentam fila de requerimentos

Ex-presidente do órgão foi demitido após agravamento da fila de benefícios

Agência O Globo - 14/04/2026
Falhas em sistemas do INSS causam prejuízo de R$ 233 milhões e aumentam fila de requerimentos
- Foto: Pedro França/Agência Senado

Pouco menos de um mês antes da demissão de Gilberto Waller da presidência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o órgão apresentou um relatório que aponta falhas nos sistemas mantidos pelo Dataprev, responsáveis por impedir a redução das filas de benefícios. O agravamento dessas filas foi um dos fatores que motivaram a saída de Waller.

De acordo com uma nota técnica do INSS, datada de 17 de março, as falhas nos sistemas provocaram um prejuízo financeiro de aproximadamente R$ 233,2 milhões entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. O impacto financeiro foi calculado com base no custo da remuneração dos servidores que ficaram impedidos de trabalhar devido às falhas tecnológicas.

“Considerando a remuneração média dos servidores dos cargos de Técnico e Analista do Seguro Social que atuam nas Ceabs, estima-se que os incidentes sistêmicos analisados geraram impacto financeiro potencial de aproximadamente R$ 233,2 milhões no período analisado”, detalha a nota.

Além do prejuízo financeiro, o documento aponta que as falhas impediram a análise de cerca de 1,75 milhão de processos no período.

Waller permaneceu no cargo por 11 meses, assumindo a presidência em meio a investigações sobre descontos indevidos em aposentadorias e pensões. No entanto, enfrentou desgaste devido ao aumento da fila de requerimentos, que chegou a 2,7 milhões em março.

Segundo a nota do INSS, a paralisação dos sistemas prejudicou cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial das centrais responsáveis pelas filas, ao longo dos 15 meses analisados.

“Tais dados demonstram que os incidentes tecnológicos geram impactos que extrapolam o campo operacional, produzindo também efeitos relevantes sobre a eficiência do gasto público e sobre a capacidade institucional de resposta às demandas da sociedade”, destaca o documento.