Finanças
Fracasso em acordo de paz com Irã reacende volatilidade nos mercados globais
Início da temporada de balanços nos EUA deve intensificar a instabilidade financeira
A intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã, após o fracasso das negociações de paz, volta a ameaçar a estabilidade dos mercados globais. O cenário ocorre após uma semana marcada por um frágil cessar-fogo, que impulsionou as bolsas e fez o petróleo registrar a maior queda do ano.
Escalada da guerra
Mesmo com a trégua temporária, analistas de Wall Street alertavam que o conflito já havia impactado fortemente a inflação, o fornecimento de energia e a atuação dos bancos centrais, tornando improvável uma solução rápida para a crise.
Com o impasse nas negociações, o presidente Donald Trump anunciou que os Estados Unidos bloquearão o Estreito de Ormuz. Em publicação nas redes sociais, Trump afirmou: "Qualquer iraniano que atirar em nós, ou em embarcações pacíficas, será EXPLODIDO NO INFERNO!" Antes do bloqueio, cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo passavam pela hidrovia.
Trump também declarou que os EUA interceptarão embarcações que paguem pedágio ao Irã para atravessar Ormuz e que removerão minas do estreito. O bloqueio pode pressionar ainda mais o mercado global de petróleo, interrompendo o fluxo de remessas que continuavam a passar pela região.
Em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que qualquer embarcação militar que se aproximar do estreito "sob qualquer pretexto" será considerada violação do cessar-fogo, segundo a TV estatal iraniana.
Desde o início do conflito, no fim de fevereiro, os mercados têm oscilado fortemente, à medida que EUA e Irã buscam vantagem nas negociações.
"A maioria dos investidores que conheço não reduziu suas posições — eles permanecem no mercado, mas evitam apostas direcionais fortes. É uma situação delicada, pois o potencial de queda é grande, mas não se pode perder uma recuperação", avalia Christophe Boucher, diretor de investimentos da ABN Amro Investment Solutions, em Paris.
Temporada de balanços amplia volatilidade
Além do cenário geopolítico, a temporada de balanços do primeiro trimestre começa nos Estados Unidos, elevando o potencial de turbulência. Analistas projetam que os lucros do S&P 500 devem subir cerca de 12% em relação ao ano anterior, o menor nível desde o segundo trimestre de 2025. O Goldman Sachs Group Inc. abre a temporada nesta segunda-feira.
Investidores aguardam as declarações de líderes corporativos sobre riscos crescentes, como inflação elevada devido à alta do petróleo e a possibilidade de redução nos gastos dos consumidores. Dados divulgados na sexta-feira mostraram que os preços ao consumidor nos EUA subiram mais do que em 2022, embora o núcleo da inflação tenha se mantido relativamente estável, enquanto a confiança do consumidor recuou.
Alexandra Wilson-Elizondo, co-chefe global e co-diretora de investimentos em soluções multiativos da Goldman Sachs Asset Management, afirmou que o Federal Reserve provavelmente manterá a política monetária inalterada até que haja sinais claros sobre o rumo do crescimento e da inflação, embora ainda espere cortes nas taxas de juros antes do fim do ano.
Nesse contexto, os rendimentos dos títulos começam a atrair investidores. Os títulos do Tesouro de dois anos, mais sensíveis à política do Fed, rendem cerca de 3,8%, um aumento de quase meio ponto percentual desde o início da crise.
"Acreditamos que o mercado criou oportunidades para investir novamente em renda fixa, principalmente nos EUA. Os rendimentos são um forte indicador de retornos futuros no médio e longo prazo", destaca Wilson-Elizondo.
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