Finanças

Justiça determina retirada da BYD da ‘lista suja’ do trabalho escravo

Montadora chinesa havia sido incluída após flagrante envolvendo operários em obra na Bahia

Agência O Globo - 10/04/2026
Justiça determina retirada da BYD da ‘lista suja’ do trabalho escravo
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A 16ª Vara do Trabalho de Brasília (TRT-10) concedeu liminar à montadara chinesa BYD, determinando sua retirada temporária do Cadastro de Empregadores que tenham transferido trabalhadores a condições análogas à escravidão, conhecida como “lista suja”. A decisão ocorre poucos dias após a inclusão da empresa na atualização mais recente do cadastro, modificado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

No início de abril, o MTE incluiu 169 novos trabalhadores na lista, que é publicada semestralmente para dar transparência aos mecanismos de combate ao trabalho escravo. O documento é resultado da atuação conjunta da Auditoria Fiscal do Trabalho (AFT), Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e, em alguns casos, de outras forças policiais.

A inclusão no cadastro ocorre somente após a conclusão do processo administrativo. Os nomes permanecem na lista por dois anos, podendo ser retirados antes caso o empregador assine acordo de regularização com o MTE, passando para uma lista de observação.

O caso envolvendo a BYD remonta a dezembro de 2024, quando o Ministério Público do Trabalho resgatou 163 operários em condições degradantes em Camaçari (BA), na região metropolitana de Salvador. Os trabalhadores atuavam para Jinjiang, empreiteiros contratados pela BYD para a construção de sua primeira fábrica no Brasil.

A fiscalização examinou a interdição de alojamentos e de áreas do canteiro de obras da fábrica de automóveis, instalada no mesmo local onde funcionava uma unidade da Ford. À, a BYD informou que rompeu o contrato com a terceirizada e que colabora temporariamente com os órgãos fiscalizadores. Procurada, a empresa não respondeu até o fechamento desta edição.

Com informações do G1