Finanças

Governo estuda limitar dívidas com apostas esportivas em novo programa de crédito

Proposta busca conter endividamento familiar e é uma contrapartida para linhas de crédito que serão lançadas

Agência O Globo - 07/04/2026
Governo estuda limitar dívidas com apostas esportivas em novo programa de crédito
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia impor um limite para dívidas relacionadas a apostas esportivas, segundo informou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta terça-feira (7). A medida surge como uma contrapartida às ações que o governo pretende adotar para combater o endividamento das famílias brasileiras.

Durigan reuniu-se com a bancada do PT na Câmara para discutir estratégias de comunicação sobre a situação econômica do país. Segundo o ministro, a intenção é mostrar à população que há avanços econômicos e, ao mesmo tempo, propor soluções para impactos externos, como o conflito no Oriente Médio, e para o endividamento crescente dos brasileiros.

No contexto dessas discussões, o governo avalia criar um limite para o endividamento das famílias com apostas digitais (bets), especialmente para aquelas que utilizarem as novas linhas de crédito a serem lançadas.

— Vai ter mais de uma linha, seja para família, seja para o trabalhador informal, seja para o MEI, para que a gente consiga perfilar e oferecer uma condição melhor para essas pessoas. Como contrapartida, o que a gente vem discutindo muito é que a gente limite o posterior endividamento dessas pessoas, com, por exemplo, bets, com apostas digitais — explicou Durigan após o encontro.

A preocupação com o endividamento das famílias tem sido crescente no governo, especialmente diante do impacto negativo sobre a popularidade do presidente Lula a poucos meses das eleições.

Nesta terça-feira, Lula reuniu-se com ministros para debater as medidas. Entre as propostas em análise está um novo programa de renegociação de dívidas, inspirado no Desenrola, mas com duração mais curta e foco em modalidades de crédito mais caras, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

O governo trabalha com dois focos principais: atender famílias de baixa renda com dívidas atrasadas entre 60 e 360 dias, incentivando a renegociação por meio de um novo programa; e apoiar pessoas adimplentes, mas com alto comprometimento de renda, a migrarem para linhas de crédito mais acessíveis.

Durigan afirmou que, na reunião, foi apresentado ao presidente um esboço inicial do funcionamento do programa. — Isso ainda vai ser discutido, levado e considerado ao presidente nos próximos dias — completou.

O ministro também adiantou à colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, que o governo busca descontos de até 80% nas dívidas, com possibilidade de refinanciamento do valor restante. Ainda está em debate a imposição de um teto para as taxas dos novos contratos, o que é visto como tendência por executivos do setor financeiro, diante das garantias que devem ser oferecidas pelo governo.