Finanças
Preços dos combustíveis se estabilizam, mas diesel acumula alta de 23,56%, aponta ANP
Gasolina sobe 7,96% em cinco semanas; cenário é reflexo do conflito no Irã, que elevou o petróleo acima de US$ 100 por barril
Levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), divulgado nesta segunda-feira (6), indica que os preços dos combustíveis permaneceram estáveis na última semana, interrompendo uma sequência de quatro altas consecutivas. Apesar da estabilidade recente, o diesel já acumula aumento de 23,56% nos postos, enquanto a gasolina registra alta de 7,96% nas últimas cinco semanas.
De acordo com a ANP, o preço médio da gasolina ficou em R$ 6,78 por litro na semana passada (de 29 de março a 4 de abril), após um mês de reajustes. O diesel manteve-se em R$ 7,45 por litro, encerrando o ciclo de aumentos.
Esse cenário reflete o impacto do conflito no Irã, que elevou o preço internacional do petróleo para acima de US$ 100 por barril. Desde o início da guerra, tanto a gasolina quanto o diesel têm apresentado sucessivos aumentos nos postos.
O avanço dos preços ocorre em meio a uma força-tarefa do governo federal para fiscalizar os valores cobrados nas bombas e à redução de impostos, como o PIS/Cofins, que foi zerado. Além disso, o governo negocia com os estados o pagamento de uma subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado, valor equivalente ao ICMS incidente sobre o produto, sendo R$ 0,60 pagos pela União e R$ 0,60 pelos estados.
Na última semana, enquanto o governo buscava medidas para conter o impacto da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis no Brasil, grandes distribuidoras nacionais decidiram não aderir à subvenção ao óleo diesel.
Para evitar que a alta das cotações internacionais do petróleo provoque uma disparada do diesel nas bombas e para as empresas de transporte — o que poderia impulsionar a inflação —, a União ofereceu pagar R$ 0,32 por litro do combustível a produtores e importadores, referente ao PIS/Cofins zerado.
Em contrapartida, as empresas que aderirem à subvenção não podem vender acima de um preço fixado pelo governo. Apenas cinco empresas — Petrobras, Refinaria de Mataripe (operada pela Acelen, do fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos), Sea Trading Comercial, Midas Distribuidora e Sul Plata Trading — confirmaram adesão à primeira subvenção, segundo a ANP.
Especialistas e executivos do setor, ouvidos sob anonimato, apontam que a resistência das empresas está relacionada aos preços máximos estabelecidos pelo governo. Para importadoras, o teto varia de R$ 5,28 a R$ 5,51 por litro, conforme a região. Para distribuidoras que comercializam diesel nacional, o limite vai de R$ 3,51 a R$ 3,86 por litro.
Em razão dessa diferença, mesmo importadoras e distribuidoras regionais que aderirem à subvenção podem acabar sem acessar o subsídio, já que a defasagem atual supera R$ 3 por litro em relação ao valor praticado pela Petrobras. Assim, o valor subsidiado pelo governo não cobre sequer os custos de importação. Empresários, sob reserva, defendem que o governo reavalie a tabela de preços máximos.
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