Finanças
Galípolo reforça cautela na condução dos juros
Presidente do Banco Central destaca necessidade de serenidade para avaliar cenário e tomar decisões seguras em evento na FGV, no Rio.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou nesta segunda-feira, durante apresentação na sede da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, a postura de cautela na condução da política de juros.
“No BC, usei a palavra ‘cautela’ mais vezes do que em toda a minha vida. Cautela acompanhada de serenidade”, afirmou Galípolo, ao discursar sem texto preparado.
Segundo o presidente do BC, a referência à serenidade se deve ao fato de que a cautela é fundamental para “entender melhor” o cenário econômico e adotar decisões “mais seguras”.
Para Galípolo, o momento atual da política monetária exige prudência, já que “medidas mais cautelosas nos permitiram enfrentar” o que classificou como mais um “choque de oferta” desde 2020, “de forma mais confortável”. Entre os resultados dessa postura, ele citou o crescimento econômico “mais próximo do potencial” e uma taxa de câmbio sob controle.
“De outro lado, o mercado de trabalho segue apertado e as expectativas de inflação já estavam desancoradas”, completou.
Na semana passada, Galípolo já havia sinalizado preocupação com a condução da política de juros. O conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado no fim de fevereiro, impactou diretamente a estratégia traçada pelo BC.
O aumento dos preços dos combustíveis, impulsionado pela alta das cotações do petróleo em função do conflito, trouxe uma pressão inflacionária inesperada para o cenário brasileiro.
Em janeiro, o BC indicava que poderia começar a cortar a Taxa Selic — atualmente em 14,75% ao ano, maior nível em duas décadas — na reunião de março do Comitê de Política Monetária (Copom). Esses juros elevados contribuíram para a estagnação da economia no segundo semestre do ano passado.
No entanto, diante da nova guerra, economistas e investidores passaram a questionar a viabilidade do plano anunciado. Os preços dos combustíveis subiram rapidamente no início de março.
Mesmo assim, o BC optou por um corte menor do que o esperado: antes do conflito, previa-se uma redução de 0,5 ponto percentual, mas o Copom reduziu a Selic em apenas 0,25 ponto.
A mudança no cenário também alterou as projeções para o ciclo de redução dos juros. Antes da guerra, o Boletim Focus, pesquisa semanal do BC com analistas de mercado, indicava que a Selic poderia chegar a 12% ao fim do ano. Agora, a edição mais recente do Focus, divulgada nesta segunda-feira, aponta para uma Selic de 12,5% em dezembro.
Esse ajuste reflete, em parte, o aumento das projeções para o IPCA, principal índice de inflação do país, calculado pelo IBGE. Antes do conflito, as estimativas eram de alta de 3,91% no IPCA em 2024, pouco acima da meta do BC, de 3,5% em 12 meses.
No Focus divulgado nesta segunda-feira, as projeções para o IPCA de 2026 já estão em 4,36%, próximo ao teto da meta, que é de 4,5%, considerando a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: veja a data limite para pagamento de salários
-
2DIREITOS TRABALHISTAS
Quinto dia útil de abril de 2026: confira a data limite para pagamento dos salários
-
3TÊNIS DE MESA
Hugo Calderano domina Alexis Lebrun e avança às semifinais da Copa do Mundo
-
4REALITY SHOW
Breno é eliminado do BBB 26; confira os percentuais de votação
-
5GEOPOLÍTICA
Chegada de navio petroleiro russo a Cuba é considerada vitória política e simbólica