Finanças

Fazenda e bancos públicos negam ao TCU debate sobre federalização do BRB

Hipótese vem sendo levantada no mercado diante das dificuldades da instituição do DF

Agência O Globo - 25/03/2026
Fazenda e bancos públicos negam ao TCU debate sobre federalização do BRB
Fazenda e bancos públicos negam ao TCU debate sobre federalização do BRB - Foto: Reprodução

O Ministério da Fazenda e bancos públicos da União negaram ao Tribunal de Contas da União (TCU) qualquer discussão interna sobre uma possível federalização do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades em razão das operações realizadas com o Banco Master, conforme apurou a reportagem junto a fontes próximas ao tema. A possibilidade de federalização tem sido cogitada no mercado diante da crise enfrentada pelo banco do Distrito Federal.

As manifestações foram encaminhadas ao relator do caso no TCU, ministro Bruno Dantas, mas, no caso da Caixa Econômica Federal e do BNDES, as respostas foram classificadas como sigilosas, segundo interlocutores. Dantas, entretanto, estabeleceu o prazo de cinco dias para que ambas as instituições justifiquem a manutenção do sigilo ou reduzam o grau de restrição das informações.

Segundo fontes, as justificativas apresentadas pelas instituições foram consideradas "genéricas", baseando-se em sigilo bancário, na Lei das Estatais ou na Lei das Sociedades Anônimas. O TCU, por sua vez, defende que a transparência deve ser a regra e o sigilo, a exceção.

Caso não haja resposta das instituições, será entendido que concordam com a reavaliação do sigilo dos documentos.

De acordo com interlocutores, a Caixa negou qualquer tratativa societária, mas confirmou que o BRB manifestou interesse em ceder carteiras de crédito à Caixa em 28 de novembro, logo após a liquidação do Banco Master e a deflagração da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. A operação investiga suspeitas de fraude nas negociações entre o Master e o BRB.

Conforme apuração do jornal O Globo, a Caixa chegou a analisar a proposta e realizar diligências, mas comunicou ao TCU que não tem interesse em dar continuidade à operação. O TCU também deve solicitar acesso integral aos documentos referentes à análise da proposta.

O BRB busca uma solução urgente para o rombo causado pelas operações com o Master. Em troca das carteiras suspeitas de fraude, avaliadas em R$ 12,2 bilhões, o banco estatal recebeu ativos do Master cuja qualidade é questionável.

Segundo cálculos do Banco Central, o BRB pode registrar prejuízo de ao menos R$ 5 bilhões. O próprio banco estima uma reserva de R$ 8,8 bilhões para cobrir possíveis perdas. A situação pode gerar um déficit no balanço, deixando o BRB em desacordo com as normas do setor bancário. O Banco Central deu prazo até 31 de março para que o BRB apresente uma solução.